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Exportadores já pressionam Temer por TPP

Com saída dos Estados Unidos do bloco do Pacífico, produtores afirmam que governo brasileiro tem de correr para ‘ocupar espaços’

Fernando Nakagawa, Impresso

30 de janeiro de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Após a desistência dos Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP), o setor exportador brasileiro aumenta a pressão para que o governo aproveite a oportunidade e acelere negociações para tentar ocupar parte do espaço surgido após o passo atrás dos norte-americanos. Para exportadores, México, Japão e Canadá são alguns dos mercados com potencial a ser explorado imediatamente.

Com o lema “EUA em primeiro lugar”, o novo presidente Donald Trump tem anunciado medidas que confirmam as promessas heterodoxas que marcaram a campanha eleitoral. A perspectiva de um governo americano protecionista e contrário a acordos multilaterais agita setores exportadores, que já aumentam a pressão para que o governo acelere ações para ampliar o acesso a mercados. Esse pedido tem chegado com cada vez mais frequência às autoridades em Brasília.

Com a frustração das negociações para a TPP, exportadores concorrentes de outros países – como os de frango e suínos dos EUA ou café do Vietnã – não ganharão acesso facilitado aos mercados do grupo. Por isso, brasileiros acham que é preciso agir para ocupar esse espaço. “O governo precisa ir para cima e aproveitar a oportunidade. Esse é o caminho racional”, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

A Parceria Transpacífico não era um acordo tradicional em que todos os países do grupo aceitam regras que valem para todos. Grosso modo, a TPP foi costurada como uma série de acordos bilaterais intragrupo. Assim, o impacto nas correntes de comércio não é linear, pois países negociaram condições distintas conforme o sócio.

Mesmo com essa especificidade, exportadores brasileiros são categóricos em defender que há várias oportunidades. Produtores de frangos e suínos, por exemplo, viam pouco espaço no México, que é grande e antigo importador dos EUA.

Café e milho. Percepção semelhante está entre os exportadores de café e milho. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e o segundo em milho. Com o modelo antigo da TPP, grandes importadores como EUA, Japão e Canadá teriam acesso facilitado ao café do Vietnã e do Peru. No milho, os brasileiros perderiam espaço para grãos exportados por Peru, EUA e México. “Mesmo que o Brasil não ganhe imediatamente nesses casos, a TPP passa a ser importante porque seus parâmetros poderão servir de base para o Brasil negociar futuramente com esses países”, diz a superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Agricultura, Lígia Dutra. Há também oportunidades para a indústria, com casos mapeados nos setores de máquinas e equipamentos, que poderiam ganhar mercado no Canadá.

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