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Exportadores levam calotes no exterior

Se já não bastassem a queda da demanda internacional e a valorização do real ante o dólar nas últimas semanas, o exportador brasileiro tem sido obrigado a lidar com um inimigo inesperado: o calote. Abatidas pela crise global, muitas empresas não estão honrando seus compromissos mundo afora, o que tem atingido em cheio companhias brasileiras dos mais variados setores. Como se trata de um problema recente, ainda não há estatísticas disponíveis.

AE, Agencia Estado

31 de maio de 2009 | 07h31

Mas alguns dados mostram que a situação é preocupante e, segundo o Estado apurou, já chamou a atenção do governo. A Coface, maior seguradora de crédito à exportação do Brasil, acusou no primeiro trimestre uma explosão dos sinistros nessas operações. Segundo o presidente da empresa, Fernando Blanco, a relação entre prêmios e sinistros, que normalmente oscila de 35% a 40%, saltou para 417% no balanço dos três primeiros meses do ano.

Isso significa que, de cada US$ 100 de prêmios recebidos pela seguradora, entre US$ 35 e US$ 40 resultam em perdas - repita-se, em condições normais. No primeiro trimestre, foram US$ 417 (no exemplo). "A diferença (US$ 317) saiu do meu caixa", diz Blanco.

Segundo ele, a inadimplência atinge corporações de países emergentes e desenvolvidos, como Itália, Inglaterra, Venezuela, Chile, Dinamarca, Holanda, Suécia e Indonésia. "Até em Dubai (nos Emirados Árabes Unidos) tivemos casos."

A Coface só trabalha com exportação de manufaturados, que, nas contas do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, respondem por 46% do total da pauta brasileira (US$ 198 bilhões no ano passado).

O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, confirma os problemas. "Conhecemos de 50 a 100 exportadores que tiveram algum tipo de atraso", afirma. "Ainda não é algo que chegue ao bilhão, mas certamente já está na casa dos milhões de dólares."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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