Exportadores prevêem calote argentino de US$ 1,5 bi

As empresas brasileiras que têm negócios na Argentina dividem suas preocupações, no momento, entre a certeza de redução da demanda pelos seus produtos e o medo de um calote no caso das vendas já efetivadas.Segundo o diretor da Associação de Comércio do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, os exportadores brasileiros temem não receber estimados US$ 1,5 bilhão em operações de exportações para esse destino.Ele projeta também que as vendas externas brasileiras para a Argentina devem cair para US$ 3,5 bilhões neste ano, após atingirem US$ 5 bilhões no ano passado, em queda já significativa ante 2000 (US$ 6,2 bilhões).O presidente do Grupo Brasil, entidade empresarial que reúne 190 empresas brasileiras com negócios na Argentina, Eloi Rodrigues de Almeida, também dá como certa a redução em médio prazo da compra de produtos brasileiros no país vizinho.Segundo ele, é a conseqüência natural da desvalorização do peso (que vai encarecer as exportações para esse destino) e do apoio cada vez maior às empresas genuinamente nacionais daquele país.Ele disse que a crise argentina já levou as empresas que compõem o grupo, como Sadia e Itaú, a reduzirem em 40% a projeção de US$ 2 bilhões de investimentos em território argentino até o fim de 2002.Banco CentralO economista da AEB disse que é estranho que o Banco Central ainda não tenha adotado uma ?posição cambial? sobre a situação das empresas que exportaram para a Argentina.?Os exportadores estão sujeitos a penalidades caso as divisas não entrem no Brasil dentro do prazo, mas a situação é extraordinária?, argumentou.Ele explicou que os atrasos nos pagamentos dos importadores argentinos tiveram início em junho, com o agravamento da recessão, mas se intensificaram desde o início de dezembro após as medidas do ex-ministro Domingo Cavallo de seleção de pagamento de dívidas.De acordo com as regras brasileiras, as divisas das exportações efetivadas pelo País devem entrar nos cofres nacionais em prazo de 180 dias. Do contrário, como punição, os exportadores terão de garantir o pagamento em dólares das vendas externas antes do embarque de novas mercadorias, ou mesmo recomprar dólares do Banco Central para garantir o negócio.Pequenas e médiasPara Castro, as pequenas e médias empresas, que foram estimuladas a exportar para a Argentina desde o início do Mercosul, deverão ser as mais prejudicadas, pois têm maior dificuldade de crédito e por isso poderão apresentar problemas de caixa no Brasil caso os pagamentos não sejam efetivados.O diretor da AEB acredita que a desvalorização do peso vai tornar as vendas externas brasileiras mais caras para aquele destino, além de reduzir a compra de produtos importados.?A Argentina vai demorar pelo menos um ano para conseguir respirar sem balão de oxigênio?, avalia Augusto de Castro. Os principais produtos brasileiros exportados para a Argentina são automóveis, autopeças, celulares, caminhões e calçados.Empresas ficamRodrigues de Almeida acredita que o superávit da Argentina na balança comercial com o Brasil, atualmente em US$ 1 bilhão anual, deverá crescer ainda mais a partir de agora.Como exemplo, ele citou que apenas entre os dias 1º e 20 de dezembro, passaram pelo posto aduaneiro de Uruguaiana (RS) apenas US$ 125 milhões em produtos brasileiros, ante US$ 414 milhões de produtos argentinos para o Brasil.Segundo ele, os empresários brasileiros não vão deixar a Argentina, porque ?sair agora é mais caro do que ficar, é preciso esperar que a situação melhore?.Ele se preocupa com a estagnação do Mercosul, que estimulou a formação do Grupo Brasil em 1994. ?Há dois anos não há avanços no bloco?, disse.Leia o especial

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