Exportadores se animam com valorização do euro

A valorização do euro frente ao dólar abre uma perspectiva favorável para exportadores que tentam ganhar espaço no mercado europeu num cenário internacional adverso. Além de engordar as receitas em reais, acredita-se que com a crise na economia norte-americana, o euro tem a primeira grande chance, desde a sua criação, de se firmar como uma alternativa forte ao dólar nas relações comerciais internacionais. A expectativa da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Lytha Spíndola, é de que no segundo semestre o Brasil já consiga reverter a queda de cerca de 18% nas exportações para Europa verificada nos primeiros seis meses de 2002 em comparação com o mesmo período de 2001. Segundo a secretária, as estatísticas já refletem uma mudança nos últimos meses. As exportações, que oscilaram entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões em janeiro e fevereiro, passaram de US$ 1 bilhão em março, abril e maio. "Essa recuperação foi em função da conjuntura mais favorável, um pouco de ganho de competitividade", afirmou a secretária. Segundo ela apesar da queda do volume de exportações registrado em junho, acredita-se que será possível um crescimento maior já a partir deste mês. "No primeiro semestre, houve um aumento da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira com redução da participação européia mas, a partir de agora, isso deve ser reverter", afirmou a secretária, ressaltando que nos primeiros seis meses de 2001, 26% das exportações foram para União Européia. Este ano, esse percentual caiu para cerca de 25%. Metade desse total são commodities, cotadas em dólar.A grande esperança dos produtores é conseguir também avançar nas vendas de produtos industrializados. Desde o início do ano, o euro vem se valorizando em relação ao dólar. Por outro lado, o real também vem perdendo valor frente à moeda norte-americana. De janeiro até a última terça-feira, a moeda brasileira se desvalorizou quase 20% ante ao dólar. Já com relação ao euro, a perda de valor chega a 28%. Com isso, os euros recebidos dos importadores europeus são trocados por uma maior quantidade de reais. Além disso, os produtos brasileiros ficam mais baratos em relação aos de outros países, favorecendo novas vendas. Para José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior (AEB), se a alta do euro for consistente e se mantiver por um período maior, a moeda se fortalecerá e passará a dividir com o dólar a preferência dos comerciantes e investidores. "Isso é favorável porque o dólar passa a ter concorrência e o mercado deixa de ser monopolista", diz. "Desde que foi criado, o euro não conseguiu passar confiança porque oscilou muito. Essa é a primeira grande oportunidade", completa. Quando foi criado como moeda virtual há cerca de dois anos, o euro valia mais do que o dólar: US$ 1,18. Com o tempo, perdeu força e chegou a US$ 0,80. Somente recentemente, com os escândalos contábeis nas empresas norte-americanas e o fraco desempenho da economia dos Estados Unidos, voltou a subir, ultrapassando a cotação de US$ 1. "Seria melhor que essa valorização estivesse ocorrendo pelo fortalecimento da economia européia mas acho que esse é um comportamento natural. A desvalorização registrada desde a sua criação foi excessiva e o euro, agora, está voltando para uma taxa razoável", avalia o ministro da Fazenda, Pedro Malan.Para a economista Sandra Utsumi, do BES Investimento, a situação na economia dos EUA dá sinais de que o fortalecimento do euro deve se sustentar. "Os EUA já completaram 12 meses com política monetária expansionista e dificilmente haverá uma reversão no curto prazo. Com juros baixos, os investidores vão buscar melhor rentabilidade", argumenta. "Por outro lado, o mercado acionário vai demorar para se recuperar depois dessa crise e a economia também não apresenta um crescimento significativo", adiciona Utsumi.

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