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Exportadores venderam carne sem certificação, acusa ministro

Stephanes também criticou as empresas certificadoras e disse que a situação delas é "um escândalo"

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

13 de fevereiro de 2008 | 13h24

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou duramente os exportadores por não comercializarem apenas carne de animais rastreados. Além disso, ele criticou as empresas certificadoras e disse que a situação delas é "um escândalo". Segundo ele, as certificadoras nunca foram auditadas e uma inspeção feita recentemente pelo ministério eliminou 20 empresas de uma lista de 71 empresas reconhecidas pelo Ministério da Agricultura. O ministro fez um apelo para que os frigoríficos liderem o processo de rastreabilidade dos rebanhos.  Veja também: Lista preliminar tem 625 fazendas aptas a exportar para UERússia suspende importação de carne de boi criado em MTMinistério confirma caso de estomatite bovina em MTUnião Européia suspende a importação de carne brasileira Ministro se dobrou ao embargo europeu, diz Pratini As críticas do ministro vêm no dia em que o governo divulgou a lista de fazendas habilitadas para exportar carne para a União Européia. O bloco exige a rastreabilidade para a importação do produto. Ele disse que pediu aos Estados que façam uma nova auditoria nas fazendas que estão na lista, até o dia 25 de fevereiro, quando uma missão do bloco chegará ao País, para que sejam verificadas possíveis inconformidades em relação às exigência dos europeus. O ministro contou ainda que sabia desde o ano passado que a União Européia poderia embargar a carne brasileira. Ele esteve em outubro na Europa para divulgar a qualidade da carne brasileira para autoridades do bloco. "Naquela época as posições foram colocadas de forma muita rígida e não conseguimos mudá-las". Stephanes lembrou que o embargo da UE à carne brasileira é um problema comercial e não sanitário. Ele salientou que a missão da UE que esteve no Brasil no ano passado já apontava falhas no sistema de rastreabilidade. Os técnicos europeus elogiaram, no entanto, as ações desenvolvidas pelo governo para erradicar a febre aftosa. "Eles encontraram graves problemas na rastreabilidade, ou seja, na área burocrática", afirmou o ministro. Ele disse que o pecuarista que quiser ser incluído no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que é o serviço de rastreabilidade, precisa cumprir 30 itens, entre eles, a apresentação de nota fiscal de compra de vacina, alimentos e brincos para identificação dos animais. O ministro observou, ainda, que no início do processo de adoção do sistema de rastreabilidade, a cadeia produtiva não tinha convicção de que o sistema iria funcionar. Ele disse também que nem os próprios técnicos do Ministério da Agricultura tinham certeza sobre a funcionalidade do Sisbov. Ele afirmou que as regras da rastreabilidade foram negociadas com a UE. Isso, porém, teria sido, segundo o ministro, um erro, mas reconheceu que agora o Brasil tem de cumprir as regras que foram aceitas. Ele disse que o governo brasileiro optou pela negociação. "Optamos por manter uma janela aberta. Um rompimento, uma posição radical, poderia resultar numa reação em cadeia para outros mercados", afirmou. Stephanes admitiu que "300, 600 ou 2 mil fazendas não são suficientes para atender a demanda da UE". De acordo com ele, de cada carcaça, apenas 20 kg vão para a UE, que só importa cortes nobres do Brasil. Dessa forma, seria preciso abater cerca de 10 milhões de bovinos por ano para atender a demanda do mercado europeu. O ministro defendeu que na negociação com a UE haja clareza para inclusão de novas fazendas na lista de propriedades aptas à exportar para aquele bloco. Problemas do setor O ministro enfatizou que a agricultura brasileira não é subsidiada e que o governo precisa encontrar soluções que possam "desengordar" a dívida dos produtores rurais. Segundo ele, entre 2001 e 2007, o preço dos produtos agrícolas subiu 78% e o endividamento cresceu 280%. Ele também comentou a decisão do Conselho Nacional de Biossegurança, que liberou na terça-feira o plantio comercial de duas variedades de milho transgênico. "Temos uma agricultura eficiente e produtiva, mas, em termos de biotecnologia, vivemos na idade da carroça."

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