Exposta à crise europeia, França perde nota máxima da agência Moody's

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating soberano da França de Aaa para Aa1, com perspectiva negativa, por causa da exposição francesa aos países periféricos da zona do euro e da probabilidade de o crescimento econômico do país no longo prazo ser afetado negativamente por uma série de desafios estruturais. Em janeiro, a França já tinha sido rebaixada pela Standard & Poor's, de AAA para AA+.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2012 | 02h05

A Moody's afirmou que o crescimento da França enfrenta desafios estruturais, como perda de competitividade e rigidez do mercado de trabalho do país. O cenário fiscal da França é incerto por causa da deterioração das suas perspectivas econômicas, segundo a agência. A Moody's também anunciou que o rebaixamento segue decisão de julho, quando Alemanha, Holanda e Luxemburgo foram colocadas sob perspectiva negativa e a agência comunicou que o rating da França seria reavaliado.

A exposição da França aos países periféricos do euro por meio dos laços comerciais e de seu sistema bancário é "desproporcionalmente grande", afirma a Moody's. Suas obrigações no sentido de ajudar outros membros do euro também têm aumentado. O país não tem acesso a um banco central nacional para o financiamento de sua dívida no caso de um problema nos mercados, diferentemente de outros países fora da zona do euro que têm ratings semelhantes.

Ainda assim, a Moody's afirmou que o país continua extremamente bem avaliado pelo fato de ter uma grande e diversificada economia, assim como pelo seu forte comprometimento para realizar reformas estruturais e consolidação fiscal.

Em julho, a Moody's informou que iria avaliar o rating AAA da França para determinar o impacto dos elevados riscos de uma saída da Grécia da zona do euro, além da crescente possibilidade de um suporte coletivo para outros países do euro e a perspectiva de uma desaceleração econômica. O rebaixamento aumenta as pressões sobre o presidente François Hollande, que há pouco mais de dois meses anunciou um pacote com aumento de impostos para reforçar o crescimento da França.

Motivação. O ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, disse ontem que o rebaixamento do rating da dívida da França pela agência Moody's é uma motivação para buscar reformas estruturais e acrescentou que o país permanece comprometido em atingir a meta de cortar seu déficit público de 4,5% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem.

Moscovici disse que o rebaixamento de um grau, para AA1, ante AAA, pela agência de classificação de risco Moody's é um reflexo da gestão econômica do país dos últimos anos e disse que a dívida soberana francesa continuava entre as mais líquidas da zona do euro. "A Moody's está dando agora à França o mesmo rating da Standard & Poor's, que nos permitiu viver com taxas menores de juros por muitos meses", disse Moscovici. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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