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Expropriação da YPF deve sair em dez dias

Depois de nacionalizar a petrolífera espanhola, governo Cristina Kirchner quer atrair Chevron e Exxon para que façam parcerias com a YPF

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h07

A presidente argentina Cristina Kirchner deverá conseguir a aprovação da lei de expropriação da empresa petrolífera YPF no dia 3 de maio, segundo o cronograma previsto pelo chefe do bloco do kirchnerismo na Câmara de Deputados, Agustín Rossi.

O projeto será debatido no Senado amanhã, em sessão que promete prolongar-se durante a tarde e terminar só na madrugada da quinta-feira. No dia 3 de maio, o projeto será debatido e votado na Câmara de Deputados.

O governo conta com uma confortável maioria para aprovar a expropriação no Senado. No entanto, pretende angariar o máximo possível de votos para minimizar as futuras críticas sobre a reestatização da empresa de gás e petróleo. Até ontem, somente quatro senadores - de um total de 72 - haviam declarado sua posição contrária à expropriação da YPF.

Na Câmara de Deputados, segundo Rossi, o governo conseguirá "mais de 200 votos", de um total de 257 cadeiras.

Ontem, o senador Aníbal Fernández, um dos principais homens da presidente Cristina Kirchner na câmara alta, indicou que a Argentina "pagará à Repsol os valores que correspondam de verdade" ao porcentual acionário que a empresa espanhola tinha na YPF antes da expropriação da semana passada.

Os comentários de Fernández suscitaram rumores que reforçavam os boatos surgidos na semana passada de que o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, propôs à presidente Cristina que a Argentina pague "zero pesos" de indenização à Repsol.

O senador Fernández acusou o presidente da Repsol, Antonio Brufau, de ser "o responsável por esta situação de saque e depredação à qual a empresa foi submetida". Fernández, que preside a Comissão de Orçamento, afirmou que a YPF "não pode ficar nas mãos de pessoas que tomam um país para fazer a farra".

Estrangeiros. Ao longo desta semana, o ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido, o homem forte do governo de Cristina para a área energética, terá reuniões com diversas empresas multinacionais de gás e petróleo. Ontem, reuniu-se com representantes da argentina Medanito, além da americana Conoco Philips. Hoje, se reunirá com enviados especiais da Exxon. O governo Kirchner deseja convencer a Exxon - além da Chevron, nos próximos dias - a fazer parcerias com a expropriada YPF. Até o fim desta semana, De Vido receberá representantes da empresa canadense Talisman.

Na semana passada, o ministro reuniu-se em Brasília com a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, a quem pediu "mais investimentos na Argentina". Além disso, em Buenos Aires, recebeu os representantes da companhia petrolífera francesa Total, com quem combinou aumentar a produção de suas jazidas de gás em 2 milhões de metros cúbicos diários.

A Associação de Orçamento e Administração Financeira Pública (Asap) anunciou que as companhias estatais Aerolíneas Argentinas e Austral receberam no primeiro trimestre deste ano US$ 204 milhões em subsídios do governo Kirchner para poder funcionar. Esse volume é 52% superior ao total recebido por essas duas estatais no primeiro trimestre de 2011.

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