Expropriação da YPF tenta esconder crise, diz Repsol

Governo de Cristina Kirchner interveio na YPF ontem e prometeu aprovar uma lei para expropriar 51% da companhia, que corresponde a mais da metade da produção diária de hidrocarbonetos da Repsol

Danielle Chaves, da Agência Estado,

17 de abril de 2012 | 08h12

O presidente da petroleira espanhola Repsol, Antonio Brufau, criticou a decisão da Argentina de expropriar a unidade local da companhia, a YPF, e descreveu a atitude como parte de um esforço para encobrir a rápida deterioração da economia do país e a política energética insustentável.

O governo de Cristina Kirchner interveio na YPF ontem e prometeu aprovar uma lei para expropriar 51% da companhia, que corresponde a mais da metade da produção diária de hidrocarbonetos da Repsol. A empresa espanhola tem 57,4% de participação na YPF.

Em uma entrevista à imprensa, Brufau afirmou que o governo argentino que reduzir o valor das ações da YPF antes da expropriação formal. "Nós vamos buscar compensação total pela YPF", alertou o executivo.

Segundo cálculos da Repsol, o valor da YPF é de US$ 18,3 bilhões, o que significa que a fatia pertencente à companhia espanhola vale US$ 10,5 bilhões. A Repsol afirmou que o valor da YPF equivale a US$ 46,55 por ação.

Reação

A Comissão Europeia está trabalhando com a Espanha sobre quais medidas tomar para responder ao movimento dramático e possivelmente ilegal do governo da Argentina para expropriar a YPF, subsidiária argentina da companhia espanhola Repsol.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que estava "seriamente preocupado" sobre a decisão do governo argentino de enviar ao Congresso um projeto de lei para expropriar 51% das ações da companhia de petróleo.

Mais tarde, uma porta-voz do órgão disse: "A comissão está estudando um esboço da medida para determinar, em um contato próximo com autoridades espanholas, o próximo passo a tomar e fazer então uma análise de todas as opções possíveis.

"A expropriação que está prevista aqui é ilegal quando ocorre sem uma compensação justa, adequada e rápida", disse a porta-voz, acrescentando que a UE já decidiu adiar uma reunião com a Argentina agendada para quinta-feira e sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

 

 

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