'Expropriação projeta incertezas sobre investimentos'

Analista político vê possibilidade de que o governo avance sobre outras empresas de capital estrangeiro no país

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h07

"A expropriação da YPF projeta incertezas sobre outros investimentos no país." É assim que o analista político Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría, vê a possibilidade de que o governo Cristina Kirchner avance sobre outras empresas de capital estrangeiro. Segundo Fraga, Cristina está "malvinizando" a política econômica argentina, em alusão ao apelo nacionalista da reivindicação das Ilhas Malvinas.

O sr. costuma dizer que a presidente Cristina Kirchner está "malvinizando" a Argentina. Como é esse conceito?

O segundo mandato da presidente Cristina combina um grau mais elevado de estatismo na economia com uma exaltação do nacionalismo na área política. Quatro meses depois de ter iniciado sua nova gestão, a política econômica consolida essa direção. Começou o ano com a restrição às empresas de mineração para enviar lucros a suas matrizes no exterior. Depois, uma disposição que obrigou as empresas de seguros a repatriar investimentos no exterior. E continuou nesse caminho, com restrições ao mercado cambial e às importações, a declaração de utilidade pública do papel de jornal, além da suspensão de muitas concessões da YPF (antes da expropriação) pelos governos provinciais. E, nesse contexto, o trigésimo aniversário do desembarque argentino nas Malvinas foi o eixo de exaltação nacionalista.

O estatismo está amarrado ao nacionalismo?

Não. Mas são dois valores fáceis de conciliar. Considero que o governo aprofundará os três eixos dessa política: a reivindicação das Malvinas, a nacionalização da YPF e o protecionismo comercial.

E como está sendo "malvinizado" o comércio com o exterior?

O governo ratificou a política de fechamento de importações, apesar da denúncia de 40 países à OMC. O secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, que de fato controla o comércio exterior, está gerando crescente isolamento do país, respaldado pelo governo. As ações de Moreno coincidem com afirmação da presidente em dezembro: "Não importaremos um prego sequer."

Com isso, a Argentina aproxima-se mais da política econômica do venezuelano Hugo Chávez?

Essa medida foi mais um passo na direção dos governos da Venezuela, Bolívia e Equador. / A.P.

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