Wilton Jr/Estadão
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Extensão do horário de verão não alivia conta

Segundo diretor-geral da Aneel, medida só contribui pelo lado da demanda; período diferenciado deveria acabar no próximo dia 22

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2015 | 08h50

BRASÍLIA - Enquanto o governo estuda estender em um mês o horário de verão para tentar poupar os reservatórios das usinas hidrelétricas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avalia que a economia gerada pela medida não ajudará a aliviar a conta de luz neste ano.

Originalmente, o horário diferenciado deveria acabar no próximo dia 22. "A medida em estudo pelo governo contribui pelo lado da demanda, mas não tem efeito nas tarifas", disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino. A agência abriu consultas públicas sobre os processos de reajustes dos valores pagos nas contas de luz: a revisão extraordinária das tarifas de distribuição e o reajuste nos preços das bandeiras tarifárias.

Rufino disse que a eventual prorrogação do horário de verão não precisa ser aprovada pela Aneel, mas que contribui com o Ministério de Minas e Energia na formulação dos estudos sobre essa alternativa.

Ele admitiu que o horário de pico de consumo no Brasil se deslocou do começo da noite para início da tarde. Em tese, essa mudança no perfil de consumo dos brasileiros leva o horário de verão a perder parte da eficiência. "Os estudos que estão sendo feitos é que mostrarão se a medida vale a pena", disse.

O ministério fará uma reunião na quinta-feira para que seja tomada decisão sobre o horário de verão. De acordo com registros do ONS, com uma hora a mais de luz natural, a demanda no começo da noite diminui 2.065 MW no subsistema Sudeste/Centro-Oeste e 630 MW no subsistema Sul, correspondendo a uma redução de 4,6% e 5%, respectivamente. Em 2014, o horário especial permitiu economia de R$ 400 milhões.

A Aneel abriu consulta para a proposta de novo valor para a bandeira vermelha, aumentando-a de R$ 3 para R$ 5,50 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos no mês, o que significa reajuste de 83%. Para a bandeira amarela, a cobrança adicional deve subir de R$ 1,50 para R$ 2,50 por 100 kWh. A previsão é de que os novos valores entrem em vigor em 1º de março. O impacto na conta média de luz será de quase R$ 9 nos meses em que vigorar a bandeira vermelha.

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