Exterior pesa, Bolsa recua 2,54% e agora cai 0,60% neste mês

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE , O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h07

A apatia que tomou conta dos últimos pregões deste ano foi substituída pela aversão ao risco, amplificada nesta quarta-feira pelo giro mais fraco que tem sido regra no apagar das luzes de 2011. Apesar de a Itália ter sido bem-sucedida no leilão de títulos realizado ontem, com demanda alta e retorno ao investidor em queda considerável, os analistas passaram a temer que hoje o mesmo não aconteça, quando os italianos ofertarão papéis de prazo mais longo.

Esse medo se somou ao fato de os bancos na Europa estarem preferindo depositar recursos no Banco Central Europeu a emprestarem para outras instituições. Ontem, a autoridade monetária do velho continente informou que os depósitos overnight na instituição atingiram novo recorde de 452,034 bilhões de euros na terça-feira, ante 411,813 bilhões de euros na véspera.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) encontrou demanda quase três vezes superior à média observada no último leilão do ano de troca de títulos curtos por longos, sinal de que a procura dos investidores neste momento de turbulência é por ativos considerados menos arriscados. Nesse quadro, as bolsas europeias caíram, assim como as norte-americanas. O índice Dow Jones cedeu 2,14%, aos 12.151,41 pontos, o S&P 500 perdeu 1,25%, aos 1.249,64 pontos, enquanto o Nasdaq teve retração de 1,34%, aos 2.589,98 pontos. A Bovespa, que na terça-feira recuperou os 58 mil pontos, caiu dois níveis em uma só tacada, aos 56.533,76 pontos, com queda de 2,54%. Com isso, o principal índice à vista do mercado doméstico, o Ibovespa, voltou a acumular perda em dezembro, de 0,60%. No ano até ontem, o índice já cede 18,43%. Apenas seis ações fecharam em alta e Petrobrás foi destaque de baixa. A ação ON da petrolífera caiu 4,12% e a PN recuou 3,47%.

No mercado de câmbio, um player fez no exterior uma grande operação em libra, alterando as cotações das moedas em um ambiente de pouquíssima liquidez e que já era de aversão a risco. Desta maneira, o dólar à vista, aqui, fechou com alta de 0,70%, a R$ 1,8740 no balcão. O resultado negativo do fluxo cambial, embora esperado, também ajudou a elevar a cotação da divisa dos EUA. Segundo informou o Banco Central, houve saída líquida de US$ 2,108 bilhões em dezembro até o dia 23.

Os juros futuros, por sua vez, tiveram seu ritmo ditado pelo noticiário externo e as taxas, em sua maioria, fecharam com leve queda. O contrato para janeiro de 2013 caiu de 10,10% para 10,06%.

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