Exterior segue tenso, mas juros reagem a possíveis medidas

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h08

Os investidores mantêm o ceticismo em relação ao encontro de cúpula da União Europeia na quinta e sexta-feira, o que impôs volatilidade aos mercados, ontem. Tudo porque as autoridades alemãs não arredam pé da postura contrária a qualquer coisa que não passe por um ajuste fiscal nos países periféricos do euro.

Nesse ambiente, as taxas futuras de juros ficaram boa parte do dia de ontem em queda. O movimento, no entanto, foi amenizado nas horas finais do pregão. Segundo profissionais de renda fixa, os participantes do mercado passaram a considerar nos preços o anúncio das medidas de estímulo que o governo brasileiro prometeu para hoje e, no fim das contas, havia espaço para altas nas taxas, após o forte recuo de segunda-feira. Assim, as taxas de prazos mais curtos encerraram os negócios perto da estabilidade, enquanto as longas subiram um pouco. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2013 ficou em 7,64%, de 7,66% no dia anterior.

O dólar, por sua vez, passou parte do dia dividido entre as tensões externas e as expectativas em torno do vencimento dos contratos de swap cambial do próximo dia 1 de julho, que equivalem a venda de dólares no mercado futuro. Isso porque, se não houvesse a rolagem dos contratos, os investidores teriam que entregar os dólares de volta ao Banco Central, o que pressionaria as cotações da moeda norte-americana para cima. Ao final da manhã, no entanto, o BC avisou que fará leilão de swap cambial, hoje, com oferta de até 60 mil contratos. Isso garante a rolagem integral do vencimento, que é de 58.500 contratos, o que praticamente zerou a alta da moeda norte-americana no meio do dia. Mas, ao longo da tarde, em um ambiente especulativo, o sinal positivo voltou a ganhar fôlego e o dólar à vista no balcão terminou com alta de 0,39%, a R$ 2,0740.

A Bovespa, por sua vez, acabou o pregão desta terça-feira com leve alta de 0,06%, aos 53.836,57 pontos. O desempenho pode ser atribuído, em grande medida, à pequena recuperação dos papéis da Petrobras. Na sessão de ontem, as ações ON da petroleira subiram 0,38%, e as PN, 1,12%, em linha com o comportamento do petróleo no mercado internacional. As ações da Vale, por sua vez, tiveram altas de 2,31% as ON e de 1,83% as PNA. Já os papéis dos bancos serviram de contraponto, afetados pelas preocupações em relação ao avanço da inadimplência doméstica, que atingiu 6% do crédito livre em maio. Em abril, a taxa era de 5,8%.

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