Extradição de Cacciola é 'derrota da impunidade', diz secretário

Segundo Tuma Júnior, operação deve ser realizada pela PF em parceria com a Interpol na próxima semana

Da redação,

04 de julho de 2008 | 12h07

O Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, afirmou nesta sexta-feira, 3, em entrevista à Globonews, que a extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola foi uma vitória do povo brasileiro e uma grande derrota da impunidade. "Uma demonstração clara de que o crime pode ser alcançado, que não serão as fronteiras que vão impedir que os Estados se organizem e possam combater não só os criminosos, mas o produto do crime, impedido que ele seja refinanciado em novas ações", disse Tuma Júnior.   Veja também:  Entenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola    Corte européia nega recurso para impedir extradição de Cacciola  Corte de Apelações de Mônaco aceita extradição de Cacciola   A decisão da extradição foi anunciada na manhã desta sexta pelo governo de Mônaco ao Ministério da Justiça em Brasília, que confirmou a informação ao Estado de S. Paulo. Em 2005, ele foi condenado pela Justiça brasileira a 13 anos de prisão por crimes financeiros na gestão do banco Marka, que quebrou em 1999.   O secretário afirmou que não existe nenhuma instância para recurso e que falta definir apenas os trâmites operacionais da extradição, que deve ser realizada pela Polícia Federal em parceria com a Interpol. "Já tivemos algumas reuniões, teremos outras e isso deve ser encaminhado na próxima semana", disse.   Tuma Júnior também ressaltou a participação do ministro da Justiça Tarso Genro na resolução do caso. "Foi muito importante a ida do ministro a Mônaco, porque nós precisávamos apresentar um acordo de reciprocidade em nome do Estado brasileiro e do ministro da Justiça", afirmou.   Durante a entrevista, o secretário destacou que a extradição do ex-banqueiro não se tratou de uma decisão política e sim judiciária. "Só depois de três decisões favoráveis do Poder Judiciário, que o Poder Executivo lançou o seu parecer indeferindo recurso. Foi uma decisão judicial", disse.     Entenda   Foragido desde 2000, Cacciola foi preso pela polícia de Mônaco em setembro do ano passado. A instituição financeira quebrou em meio à maxidesvalorização do real, em 1999, uma vez que, ao contrário da maioria do mercado, o Marka contraiu altas dívidas em dólar. Há três anos, o ex-banqueiro foi condenado a 13 anos de prisão por crimes de peculato (utilização do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta.   Durante aquele período, o Banco Central socorreu o Marka e o FonteCindam com R$ 1,6 bilhão. O BC justificou a medida como necessária para evitar o que classificou de risco sistêmico para o mercado financeiro do País.

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