Extradição encerra 'ciclo de impunidade', diz procurador

Ex-banqueiro Salvatore Cacciola chegou ao Rio de Janeiro nesta madrugada, após oito anos foragido

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2008 | 13h38

O procurador regional da República Artur Gueiros, que acompanhou o retorno de Salvatore Cacciola ao Brasil, afirmou nesta quinta-feira, 17, que o resultado da operação representava o "final de um ciclo de impunidade" quando foi interrompido pelo advogado do ex-banqueiro, Carlos Ely Eluf, na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Rio. "Dr. Gueiros, não faça demagogia", afirmou o advogado. "O senhor quer os seus 15 minutos de fama, o senhor tem." Eluf acusou o procurador de "usar a imprensa para fazer propaganda pessoal". O procurador parou de falar, mas não respondeu à acusação.   Veja também: Depois de chegar ao Brasil, Cacciola afirma que nunca foi um foragido  Após extradição, Cacciola chega ao País e vai a presídio no Rio 'Não sou um foragido e confio na Justiça brasileira', diz Cacciola Após extradição, Cacciola diz que errou ao ir para Mônaco Sem algemas e descontraído, Cacciola aguarda retorno ao Brasil Entenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola   Gueiros havia declarado que "finalmente" o "senhor" Salvatore Cacciola retornava ao Brasil e afirmara que a prisão dele "se justificava pela necessidade de garantir a aplicação da lei penal brasileira". Gueiros disse que parabenizava a PF e a Interpol pelo "sucesso" da ação, e citou o "profundo profissionalismo" e a "importante discrição" do trabalho. Ele também elogiou a Secretaria Nacional de Justiça e o Ministério da Justiça por terem colaborado com a Justiça brasileira "dessa maneira que possamos acabar com essa impunidade que..." Foi aí que Eluf o interrompeu.   Depois de Gueiros, falou o delegado Luiz Pontel, diretor de gestão de pessoal da PF, que foi responsável pelo inquérito, classificado por Gueiros de "um lorde, de tão competente". "A diligência transcorreu dentro da mais pura normalidade. As autoridades de Mônaco e da França colaboraram em todo o trabalho, não tivemos nenhum tipo de alteração, e o repatriado também se comportou de forma colaborativa, foi submetido a exame de corpo de delito e será encaminhado ao sistema prisional do Rio, onde permanecerá à disposição da Justiça Federal do Rio", declarou Pontel.   A audiência também teve a presença do delegado Marcelo Oliveira, da Interpol. Em seguida, houve a rápida entrevista coletiva com Cacciola, que depois foi levado para o presídio Ary Franco, na zona norte.   Os advogados do ex-banqueiro embarcam às 14 horas do Rio para Brasília, onde pretendem ir ainda nesta quinta ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde Cacciola tem mais dois pedidos de habeas-corpus em tramitação, além do que foi concedido para que ele não fosse algemado ao chegar ao Rio, de Mônaco, nesta madrugada.  

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