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Extremos do mercado têm melhores resultados

Além dos populares, se destacam projetos de alto padrão com a queda da taxa Selic

Débora Ribeiro ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 05h00

Não foi só no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida que as vendas ganharam impulso no último ano. Na outra ponta do mercado, com os apartamentos acima de R$ 1,5 milhão, destinados a um público de maior poder aquisitivo, o mercado também registrou elevação nas vendas. “Sem dúvida, existe uma demanda reprimida por imóveis do segmento econômico, que foi o menos afetado no País pela crise no setor”, diz o presidente do grupo Brasil Brokers, Claudio Hermolin.

De acordo com o executivo, no segundo semestre de 2017 e também neste ano, o outro extremo do mercado “não foi tão impactado”, apresentando melhor desempenho que os demais segmentos. “O mercado de alto padrão se destacou, favorecendo-se da queda da taxa Selic”, analisa Hermolin. Na sua avaliação, quem tinha dinheiro para investir preferiu aplicar no setor. “Acima de todas as dificuldades, imóvel sempre foi um bom investimento.”

Os dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) confirmam a liderança dos imóveis populares, com preços até R$ 240 mil, que tiveram crescimento de 144% nas vendas realizadas em São Paulo, atingindo 9,7 mil unidades em 2017. 

No mesmo período, a segunda faixa de preços com maior crescimento em comercialização foi a dos imóveis com tíquete final acima de R$ 1,5 milhão, que subiu 48%. Já nos lançamentos de projetos, na faixa de R$ 900 mil até R$ 1,5 milhão, o incremento foi de 57%, chegando a 2,3 mil novas unidades durante o ano passado. Computado o preço acima de R$ 1,5 milhão, a elevação ficou em 45%, com 828 novos apartamentos em 2017.

Luxo. De olho nesse crescimento, o grupo Brasil Brokers abriu, em fevereiro, uma nova unidade de negócios voltada exclusivamente para a venda de imóveis de luxo no Rio de Janeiro, chamada Unique. Para São Paulo, o plano é se fortalecer, segundo Hermolin, mantendo a posição e atuação relevantes no mercado. “55% dos resultados do grupo são referentes à capital paulista e à operação em cidades como Santos, Campinas e Jundiaí”, afirma. “Buscamos presença ainda maior no mercado paulista.”

O grupo teve duas empresas premiadas nesta edição do Top Imobiliário. Na categoria das vendedoras, a Abyara Brokers ficou em 3º lugar e a Brasil Brokers em 4º. Em São Paulo, as duas imobiliárias têm perfis complementares. “Enquanto a Abyara atende às grandes incorporadoras listadas na Bolsa, a Brasil Brokers trabalha com as médias e pequenas”, explica Hermolin, falando da estratégia definida para o grupo. “O importante é que buscamos sinergia entre as duas empresas para atingir os melhores resultados.” 

Crescimento. Na cidade de São Paulo e região metropolitana, o valor global dos lançamentos, realizados com a participação das duas imobiliárias, cresceu 10%, passando de R$ 2,08 bilhões em 2016 para R$ 2,31 bilhões no ano passado, de acordo com os dados registrados na Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).  “A participação dos produtos até R$ 240 mil com intermediação do grupo representou perto de 50%”, calcula Hermolin.

Segundo a Embraesp, foram 18 novos empreendimentos da Abyara ,contendo 3,6 mil apartamentos, e 19 lançamentos da Brasil Brokers com 3 mil imóveis. Nos dois casos, a área construída supera 300 mil m². Hermolin constata a evolução registrada em São Paulo. “Foi o primeiro mercado a reagir, porque é o principal do Brasil”, declara, otimista em relação ao desempenho em 2018 e também “nos próximos anos”. Ele vê sinais de retomada. “O mercado está em crescimento."

 

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