FAB encomenda 28 cargueiros da Embraer

Avião, que ainda está em fase de desenvolvimento, é uma das principais apostas da fabricante brasileira para ganhar mercado na área de defesa

Reuters, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou ontem, na feira de aviação de Farnborough, nos arredores de Londres, a intenção de compra de 28 cargueiros KC-390, em desenvolvimento pela Embraer. O tamanho da encomenda é maior que o estimado anteriormente, de cerca de 20 aviões.

A FAB e a Embraer assinaram em abril do ano passado contrato para o desenvolvimento do KC-390, com investimento de US$ 1,3 bilhão. Esse valor inclui apenas a produção de dois protótipos da aeronave. Assim, um contrato novo referente ao pedido pelos 28 cargueiros ainda precisará ser firmado.

A Embraer não definiu o preço do KC-390, que será o maior avião já produzido pela companhia, mas o novo contrato pode rondar os US$ 2 bilhões. A fabricante já informou querer um terço do mercado global de cargueiros, de 700 unidades, em 15 anos, o que significaria receita de US$ 18 bilhões. Com base nesses números, é possível chegar a um valor médio por aeronave próximo a US$ 80 milhões.

A previsão é que o primeiro voo do cargueiro da Embraer ocorra em 2014, com entrada em serviço no final de 2015. O cargueiro se insere no esforço da Embraer de diversificar suas receitas, hoje concentradas na aviação comercial, segmento mais suscetível aos altos e baixos da economia. Na área de Defesa, por exemplo, os orçamentos são dos governos e, assim, mais estáveis. O anúncio do novo acordo contou com a presença do presidente da Embraer, Frederico Curado, do vice-presidente para o mercado de defesa, Orlando Ferreira Neto, e do comandante da FAB, Juniti Saito.

Pedidos. A Embraer encaminhou em três dias na feira vendas que podem engordar sua carteira de pedidos em cerca de US$ 9 bilhões, pondo fim a um jejum de mais de dois anos na aviação comercial e avançando também na ambição de ter uma presença maior no mercado global de defesa.

A fabricante brasileira de jatos já havia anunciado acordos com as companhias aéreas Flybe e Republic Airlines, da Inglaterra e dos Estados Unidos, respectivamente, e com Azul e Trip, ambas do Brasil. Ontem, além do negócio com a FAB, assinou carta de intenções para aquisição de 24 jatos Embraer 190 pela Republic Airlines, com valor de US$ 960 milhões. A Republic já tem 145 jatos de 70 a 122 passageiros da fabricante brasileira, sendo a maior operadora desses aviões no mundo.

A feira de Farnborough vem sendo marcada pela retomada de encomendas por aviões para as principais fabricantes de jatos. No caso da Embraer, a enxurrada de pedidos indica uma antecipação da retomada da demanda mundial por aviões comerciais, que executivos da companhia estimavam que ocorreria com força apenas em 2011.

Cliente

US$ 960 mi é o valor da carta de intenções anunciada ontem ontem pela

Embraer para a venda de 24 jatos E-190 para a Republic Airlines

145 jatos da Embraer já opera a Republic Airlines

PARA LEMBRAR

França fez acordo para comprar avião

Um dos principais clientes do KC-390, cargueiro que está sendo desenvolvido pela Embraer, deve ser a França. Uma compra de 10 a 15 aviões chegou a ser anunciada no ano passado, como parte da negociação da venda de 36 caças Rafale, da Dassault, ao Brasil. A Dassault disputa essa encomenda com a americana Boeing e a sueca Saab, mas o governo já deu várias mostras da preferência pelo acordo com os franceses.

Apesar disso, no ano passado, o ministro da Defesa da França, Hervé Morin, chegou a chamar o avião da Embraer de "carrinho de mão". O comentário foi feito por Morin em uma entrevista à emissora de rádio RTL. Confrontado com questionamentos sobre a pertinência de adquirir os cargueiros brasileiros, em um momento no qual o consórcio europeu EADS enfrentava sucessivos atrasos e até risco de cancelamento do projeto de avião de transporte Airbus A400M, Morin se saiu com um jargão militar francês, reduzindo a importância da compra. "Nós precisamos do que chamamos um carrinho de mão voador", afirmou, definindo o KC-390 como "um avião de transporte militar capaz de transportar muito longe", mas "que não tem o nível de equipamentos do A400M".

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