Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 14/5/2020
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Fábio Alves
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Adeus à meta ambiciosa?

Diante das condições atuais, há quem defenda que o CMN deveria revisar as metas de inflação

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 04h00

Há um debate crescente no mercado sobre qual opção traria maior custo em termos de credibilidade ao Banco Central: ter as metas de inflação para 2023 e 2024 oficialmente revisadas para cima pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou manter essas metas inalteradas, mas ter de escrever cartas sucessivas ao Ministério da Economia se explicando por não conseguir alcançá-las?

Há ainda os que defendem que o BC, simplesmente, abra mão de perseguir a meta de 2023 e diga que fará tudo para que essa convergência da inflação aconteça apenas em 2024, algo que implicitamente já faz quando, nas reuniões do Copom, vai deslocando para frente o horizonte relevante da política monetária.

Mas isso não retira a obrigação de escrever uma carta pública dizendo o porquê de a inflação ter ultrapassado o limite superior de tolerância da meta e o que vai fazer para que isso não ocorra novamente no ano seguinte.

Foi o que aconteceu em 2021 (com inflação de 10,06%, ante o teto da meta de 5,25%), e o que deve provavelmente ocorrer em 2022, quando as estimativas apontam para um IPCA de 8,89%, enquanto o teto é de 5%. O risco é elevado também para 2023, quando o mercado prevê inflação de 4,39%.

Para 2023 e 2024, as metas de inflação foram fixadas em 3,25% (teto de 4,75%) e 3% (limite superior de 4,50%), respectivamente. Na sua próxima reunião, marcada para o dia 23 deste mês, o CMN deve anunciar a meta para 2025. Pelas regras atuais, o CMN define em junho o alvo para a inflação de três anos-calendário à frente, além de ratificar as metas já fixadas para os dois anos seguintes.

Mas há um precedente para o CMN voltar atrás e revisar as metas anteriormente definidas. Em 2002, ano em que a turbulência com a eleição presidencial levou o dólar ao recorde histórico até então de R$ 4,00, o CMN revisou a meta que estava fixada para 2003 (de 3,25% para 4%) e ampliou o intervalo de tolerância de 2 para 2,5 pontos porcentuais. Isso se repetiu em 2003, quando o CMN mudou a meta de 2004 de 3,75% para 5,5%.

Como o Brasil e o mundo estão enfrentando choques de oferta sem precedentes, com disparada nos custos de matérias-primas por causa da pandemia de covid, de fenômenos climáticos e da guerra na Ucrânia, há quem defenda que o CMN revise a meta de 2023 para 4,50% e a de 2024, para 4,0%, além de definir a de 2025 em 3,5%.

O argumento é: que adianta ter metas ambiciosas se as condições econômicas e políticas seguirem mantendo a inflação em patamar elevado, mesmo após o BC ter subido os juros em quase 11 pontos porcentuais? O debate é válido.

*COLUNISTA DO BROADCAST

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