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Com inflação elevada, guerra na Ucrânia e coronavírus na China, temos uma recessão global à vista?

O cenário externo se deteriorou e pode deixar o Brasil mais vulnerável se o mundo entrar em recessão

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2022 | 04h00

Desde a semana passada, uma nova fonte de nervosismo passou a pairar sobre os mercados globais: o crescente risco de uma recessão da economia mundial neste ano.

Analistas dizem que, nos últimos meses, uma tempestade perfeita vem se formando para levar o PIB mundial a uma contração em 2022. Isso seria resultado da combinação de inflação elevada na maioria dos países, de aperto monetário mais agressivo pelos grandes bancos centrais, do impacto negativo da guerra da Ucrânia na economia da Europa e dos efeitos adversos sobre o PIB da China da mais recente onda de covid por lá. 

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), entidade que representa as maiores instituições financeiras do mundo, reduziu a sua projeção para o PIB mundial em 2022 para uma alta de 2,2%. Acontece que o crescimento da economia global de 6,0% em 2021 gerou um carrego estatístico de 2,3%, nos cálculos do IIF. Ou seja, se o desempenho da atividade global ficasse estável neste ano, o PIB mundial ainda assim cresceria 2,3%.

“Isso deixa pouco espaço para se evitar uma contração do PIB mundial”, alertou o IIF, em comunicado na semana passada. “O risco de recessão é elevado.”

Desde o início do ano, o banco JPMorgan já reduziu a sua projeção para o PIB mundial neste primeiro semestre em 2,5 pontos porcentuais. Segundo o banco, o poder de compra das famílias tem diminuído significativamente com a disparada da inflação e a alta nos preços das principais commodities em razão da guerra na Ucrânia. Para piorar, a onda de covid na China tem causado mais problemas nas cadeias de produção do que se imaginava.

Aliás, em razão dos lockdowns em importantes regiões do país, muitos analistas vêm revisando para baixo a projeção do PIB chinês em 2022, inclusive bem abaixo da meta de crescimento fixada pelo governo da China, ao redor de 5,5%. O IIF, por exemplo, prevê um crescimento chinês de apenas 3,5% em 2022.

Mas o temor dos investidores é mesmo com os Estados Unidos. Em março, o banco Goldman Sachs atribuiu uma probabilidade de 35% de uma recessão na economia americana nos 12 meses seguintes. De lá para cá, o Federal Reserve (Fed) acelerou o ritmo de altas de juros, para elevações de 0,50 ponto, e sinalizou um ciclo de aperto mais agressivo.

O presidente do Fed, Jerome Powell, já avisou que não pode garantir um “pouso suave” para a economia americana com o atual ciclo de aperto e que o controle da inflação incluirá “alguma dor”. Ou seja, o cenário externo se deteriorou e pode deixar o Brasil mais vulnerável se o mundo entrar em recessão. 

*COLUNISTA DO BROADCAST 

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