André Dusek/Estadão - 9/1/2018
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Fábio Alves
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Qual será a estratégia escolhida pelo Copom à luz das renovadas pressões inflacionárias?

O mais provável é o Copom cumprir com a redução no ritmo de alta de juros, mas dizer que vai prolongar o aperto

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 04h00

Eis o tamanho da encrenca que o Copom terá de enfrentar na sua reunião hoje: a média dos núcleos da inflação, que excluem os preços mais voláteis, como alimentos e combustíveis, deu outro salto de janeiro para fevereiro, avançando de 0,87% para uma alta ao redor de 1%, mesmo com o aperto monetário em curso já há um ano e com a taxa Selic em dois dígitos. Na taxa anual, de 8,4% no mês passado, a média dos núcleos sobe por 18 meses consecutivos.

Com a alta de preços se disseminando por mais produtos e serviços no IPCA, a inflação alta está se tornando cada vez mais resiliente. E os efeitos secundários do choque adverso de oferta, agravados agora pela guerra na Ucrânia, devem continuar empurrando para cima as expectativas inflacionárias.

Na última pesquisa Focus, a projeção para o IPCA em 2022 subiu impressionante 0,80 ponto porcentual em apenas uma semana, para 6,45%, bem acima do teto da meta (de 5%). Já há analistas prevendo que a inflação deste ano poderá ficar entre 7% e 8%. Para 2023, conforme a Focus, a estimativa passou de 3,51% para 3,70%, enquanto o centro da meta é de 3,25%.

Qual será, então, a estratégia escolhida pelo Copom à luz das renovadas pressões inflacionárias?

O Copom já sinalizou que irá reduzir o ritmo de alta de juros, de 1,5 ponto porcentual, no seu último encontro em janeiro. O mercado aposta majoritariamente em um aumento da taxa Selic em 1 ponto na decisão de hoje, para 11,75%. Como o aperto monetário já está bem avançado, o Copom poderia se dar ao luxo de desacelerar o ritmo de alta de juros para avaliar melhor seu impacto sobre as expectativas inflacionárias e a atividade econômica.

O problema é que, de janeiro para cá, o mundo mudou. A guerra na Ucrânia elevou consideravelmente o custo dos insumos ao redor do mundo, com impacto significativo na inflação. E, no Brasil, as expectativas inflacionárias estão saindo do controle e se distanciando cada vez mais das metas.

Caso não tivesse sido tão precipitado em se comprometer com a redução no ritmo de alta de juros, o Copom poderia manter a velocidade do aperto em 1,5 ponto, ao menos por mais uma reunião, diante dessa piora na inflação e nas expectativas.

O mais provável, porém, é o Copom cumprir com o que já foi sinalizado, mas dizer que vai prolongar o aperto e manter os juros num patamar mais alto pelo tempo necessário para fazer convergir a inflação à meta no horizonte relevante da política monetária, o que, provavelmente, levaria a Selic para entre 13% e 13,5%. É uma fatura salgada, mas há outra saída?

*COLUNISTA DO BROADCAST

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