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Há um longo caminho para a inflação convergir ao seu nível pré-pandemia ou à meta do ano que vem

Ninguém sabe responder o quanto da inflação no Brasil virou 'permanente' e o quanto dessa alta de preços vai ser difícil desacelerar em direção ao nível pré-pandemia ou mesmo à meta de inflação em 2023

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2022 | 04h00

Duas questões vêm desafiando nos últimos dias até os economistas mais experientes: o quanto da inflação no Brasil, que subiu 11,30% em 12 meses até março, virou “permanente” e o quanto dessa alta de preços vai ser difícil desacelerar em direção ao nível pré-pandemia de covid ou mesmo à meta de inflação em 2023, horizonte relevante para a política monetária do Banco Central.

Por enquanto, o que vários economistas dizem é: ninguém sabe a resposta a essas perguntas com precisão, tamanha é a incerteza nos cenários doméstico e internacional na política e na economia.

Em fevereiro de 2020, pouco antes de a pandemia ser decretada oficialmente, o IPCA subiu 0,25%, levando a taxa em 12 meses para 4,01%. E a meta de inflação para 2023 é de 3,25%. Portanto, há um longo caminho a percorrer para a inflação convergir ao seu nível pré-pandemia ou à meta do ano que vem.

A disparada da inflação no mundo e no Brasil tem um pano de fundo em comum: os gargalos nas cadeias mundiais de produção, em razão da pandemia, levaram a uma escassez de matérias-primas e, por tabela, a um forte aumento nos custos dos produtos.

Paralelamente, em boa parte após o início da guerra na Ucrânia, a disparada nas cotações das principais commodities, como petróleo, trigo e minérios, contribuiu para a alta nos preços de combustíveis e de alimentos.

Além disso, as idiossincrasias de cada país agravaram a inflação local. Nos Estados Unidos, os pacotes fiscais para lidar com o impacto da pandemia injetaram trilhões de dólares na economia, turbinando a demanda dos consumidores.

No Brasil, a piora na percepção fiscal levou a uma forte alta no dólar até o fim do ano passado, antes de uma entrada de capital estrangeiro - atraído pelo aumento no diferencial dos juros no Brasil e externo - ter provocado uma valorização do real brasileiro em 2022. Mas esse alívio no câmbio ainda não se fez sentir na inflação ao consumidor. O IPCA subiu 1,62% em março, maior taxa para o mês desde 1994.

Até itens que registraram desaceleração significativa em março ainda mostram uma forte alta em 12 meses. É o caso de artigos de residência, cuja alta passou de 1,76%, em fevereiro, para 0,57% em março, mas o acumulado em 12 meses é de 14,25%.

Não há tão explícitos hoje, como no passado, vetores que alimentem o processo inflacionário permanentemente, como a gastança fiscal, isto é, despesa pública real crescente, ou mesmo a inércia da década de 1980. Daí, os analistas não saberem direito o que está ocorrendo com esse processo no curto prazo. E, tampouco, o BC. 

*COLUNISTA DO BROADCAST 

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