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Fábio Barbosa deixará comando do Santander

O espanhol Marcial Portela, atual presidente do Conselho, vai assumir a presidência executiva em fevereiro, trocando de lugar com o brasileiro

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

O Banco Santander anunciou ontem que Fábio Barbosa deixará a presidência da unidade brasileira a partir de fevereiro. Ele será substituído pelo espanhol Marcial Portela. No Conselho de Administração, os dois farão caminho oposto: Barbosa assumirá a presidência no lugar de Portela.

Três anos atrás, ao comprar parte do holandês ABN Amro no mundo (o que incluía o Banco Real no Brasil), o Santander surpreendeu o mercado ao informar que Barbosa, então presidente do Real, ficaria responsável pelas operações no Brasil.

O comunicado em que as mudanças foram divulgadas afirma que "Fábio Barbosa já havia demonstrado interesse em deixar a função de diretor-presidente da organização". Em conversa com o Estado, ele frisou que era "um desejo antigo" deixar as funções executivas a partir de um determinado momento. "E este é um momento apropriado", afirmou.

"Em primeiro lugar, porque a integração dos dois bancos foi feita. Em segundo, porque minha ida para o Conselho de Administração reforça nosso compromisso com a governança corporativa após a abertura de capital", disse. Em outubro de 2009, o Santander Brasil lançou ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na época, obteve o recorde de R$ 14,1 bilhões.

Nos bastidores do mercado, comenta-se que Barbosa e os espanhóis têm uma convivência difícil. O executivo é conhecido pelas preocupações com a sustentabilidade, o meio ambiente e o crédito responsável, entre outros pontos. Em mais de uma ocasião, foi chamado de banqueiro verde. Dono de uma personalidade tranquila, ganhou o respeito e a confiança de seus pares.

Tanto que, há três anos, dirige a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) - cargo, aliás, que continuará ocupando até abril, pois o estatuto não determina que seu presidente tenha de ser necessariamente o principal executivo de uma instituição.

Os espanhóis do Santander, em contraposição, têm um estilo mais duro (para muitos, agressivo), o que teria causado choques na organização. Barbosa nega. "A própria definição do meu nome para presidir o Conselho só reforça que temos trabalhado com uma parceria positiva, com o propósito de juntar o melhor dos dois bancos", disse.

Eleito por Botin. Marcial Angel Portela Alvarez, de 65 anos, foi o escolhido do presidente mundial do Santander, Emilio Botin, para acompanhar de perto a fusão entre os dois bancos no Brasil. Além de presidir o Conselho de Administração da unidade brasileira, Portela é vice-presidente do Santander S/A. Apesar da ligação com o Brasil, ele fica em Madri. No início do ano que vem, se mudará para São Paulo.

Em perfis veiculados por publicações espanholas, Portela é descrito como "controvertido", principalmente por ter negócios próprios simultaneamente às atividades no banco. Além do Santander, ele ocupou cargos de alto escalão em empresas como Telefônica e Banesto, outro banco espanhol.

No último trimestre, a unidade brasileira do Santander tornou-se a mais lucrativa do banco no mundo. Sozinha, respondeu por um quarto dos resultados.

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