Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro e Faria desautorizam Mourão a falar sobre 5G

Presidente disse que só aceita que falem sobre esse assunto se a pessoa, quem quer que seja, esteja acompanhada do ministro das Comunicações; ontem, Mourão disse que o banimento da chinesa Huawei encareceria os serviços

Anne Warth e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 16h37
Atualizado 08 de dezembro de 2020 | 18h10

BRASÍLIA - O ministro das Comunicações, Fábio Faria, escanteou o vice-presidente Hamilton Mourão das discussões a respeito do 5G no Brasil. “Iremos tratar esse tema no Ministério das Comunicações e na Presidência da República”, disse, após receber representantes das cinco principais operadoras do País – Vivo, Claro, Oi, TIM e Algar Telecom.

Mais tarde, em evento no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro também desautorizou seu vice. O chefe do Executivo disse mais de uma vez que o assunto só pode ser debatido com ele se antes passar pelo ministros das Comunicações, Fábio Faria.

“Ninguém vem falar (sobre) 5G comigo – e não está aberta a agenda para quem quer que seja a pessoa –  a não ser que ela venha acompanhado do ministro Fábio Faria, das Comunicações”, disse Bolsonaro. Ele reforçou o recado para Mourão uma outra vez durante seu discurso: "Repito, 5G ninguém fala comigo sem antes conversar com Fábio Faria", disse.   

Mourão disse na segunda, 7, que os equipamentos da Huawei estão em 40% das redes de 3G e 4G no País e que o eventual banimento da companhia no 5G vai encarecer os serviços para os consumidores.

Questionado sobre o posicionamento de Mourão, Faria disse que o vice-presidente tem prerrogativa para falar sobre qualquer assunto e que tem liberdade de expressão. “Mas até hoje, nunca recebi pedido de audiência ou convite para falar sobre isso com Mourão”, disse.

“Esse tema será tratado entre mim e o presidente da República, até porque Mourão está com o Conselho da Amazônia, que demanda muita atenção e muito trabalho. Acho que ele não vai ter tempo para tratar também do tema do 5G, que está sendo bem tratado pelo ministério”, disse o ministro.

A fala de Mourão recebeu apoio explícito do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O agronegócio também é contra o banimento da China e teme retaliações ao setor. Já as alas militar e ideológica defendem a imposição de restrições para banir a fornecedora do País, que tem sido o principal alvo de pressão do governo norte-americano no mundo.

O leilão do 5G está previsto para o fim do primeiro semestre de 2021. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve publicar o edital da licitação até o fim de fevereiro, mas não tem poder para banir a Huawei – uma decisão que depende de decreto presidencial.  

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