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Filho põe em risco aposentadoria do pai?

Algumas pesquisas internacionais estão trazendo à tona como conseguir estabelecer uma melhor situação para a família

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2021 | 04h00

Uma discussão recorrente no ambiente de finanças pessoais é sobre até quando devemos manter ajuda financeira aos filhos. Este assunto ganha força em tempos como os que temos vivido porque muitas pessoas perderam o emprego ou tiveram a renda reduzida drasticamente e as famílias tiveram que se unir e um ajudar ao outro.

No entanto, o assunto vai além do momento, sendo uma questão sociocultural. Há povos em que essa relação é mais distante, onde os filhos após certa idade têm que dar conta de si e qualquer ajuda é somente dentro do necessário e, no geral, não é algo bem-visto.

Em outras culturas o suporte aos filhos é algo comum e visto de forma natural. Aqui não se pretende fazer uma análise social e muito menos tentar estabelecer regras de conduta. Afinal, cada família deve buscar o seu bem-estar e isso só é possível com a aceitação de seu modo de vida. No entanto, algumas pesquisas internacionais estão trazendo à tona não somente a importância do tema, bem como, alguns números que devem nos fazer refletir sobre como conseguir estabelecer uma melhor situação para a família.

A Merrill Lynch e a Age Wave publicaram a cerca de dois anos um estudo mostrando que quase 80% dos pais ajudam financeiramente os filhos adultos de alguma forma, desde pagando contas do dia a dia, telefone celular ou ajudando com o pagamento outros itens caros. Sendo que os pais de filhos adultos dão aos filhos o dobro do valor que eles contribuem para suas próprias contas de aposentadoria, esse valor é da ordem de US$ 500 bilhões anualmente.

Vale observar que o mesmo estudo traz que quase dois terços dos pais têm sacrificado sua própria segurança financeira pelo bem de seus filhos. Por outro lado, a despeito dos desafios e sacrifícios, mais de 90% desses pais dizem que a paternidade é o aspecto mais gratificante de suas vidas. Mas, de qualquer forma a preocupação com o tema existe e os pais precisam estabelecer parâmetros e buscar se responder se o apoio financeiro aos filhos adultos já não foi longe demais. 

Obviamente, trata-se de uma resposta difícil. A questão em jogo é se esse apoio não está inibindo a própria independência dos filhos. Uma posição que parece ser sensata é que os pais não podem colocar em risco a sua própria aposentadoria. Um sinal nítido de alerta desse risco é quando não se consegue ver o fim dessa situação. Há quem defenda, inclusive, que o paternalismo é muito prejudicial e não devemos nos preocupar sequer em deixar algum tipo de herança aos filhos.

O fato é que as finanças influenciam cada vez na decisão de quando ter filhos, ou mesmo de ser ter filhos, tendo em vista que os custos da paternidade em algumas sociedades são muitos elevados. Qualquer que seja o perfil ou ambiente sociocultural da família, temos sempre que o propósito dos pais é criar filhos felizes e autossuficientes.

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