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Fundos de crédito privado chamam a atenção de investidores

É preciso estar atento aos riscos, em especial, o risco de crédito, que é o potencial calote do emissor; para mitigar esse risco deve-se buscar fundos com maior número de emissores.

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2022 | 04h00

Em meio a tantas incertezas e com a subida dos juros, no Brasil e no exterior, os investidores estão rebalanceando as suas carteiras. Há fuga de ativos de maior risco para buscar refúgio na renda fixa.

Dados da Anbima mostram que em 2021 os fundos de investimentos tiveram captação líquida de R$ 369 bilhões, recorde histórico. Sendo que 60% desse volume foi direcionado para a renda fixa, o que redundou em aumento da fatia das carteiras alocadas nesses ativos.

Nos primeiros meses do ano, de forma geral, os fundos de renda fixa obtiveram rentabilidade acima da variação do CDI. Mas deve-se atentar que o rendimento do CDI acumulado até fevereiro foi de 2,43%, mas o IPCA foi de 3,20%. Como temos uma grande variedade de tipos de fundos de investimentos, o investidor deve ser criterioso na escolha. No entanto, o investidor médio discrimina os fundos somente em grandes categorias e tem em mente que os fundos são das classes de renda fixa, ações e imobiliário.

Essas classificações são muito genéricas. Assim, aqueles que desejam realizar escolhas com mais cuidado, e de acordo com os seus perfis, devem conhecer os detalhes sobre os diferentes tipos em cada classe. O interessados podem conhecer toda a classificação dos fundos em www.anbima.com.br.

Um dos tipos que têm chamado atenção desde 2021 são os fundos de crédito privado, um fundo de renda fixa que possui mais de 50% de seu patrimônio em títulos emitidos por empresas privadas, como debêntures, CRIs e CRAs. Os fundos de crédito têm rendido de 1,5% a 5% acima do CDI. No mercado internacional, o mercado de crédito corporativo fechou 2021 com retornos acima de 5%.

O investidor deve estar atento aos riscos, entre eles, em especial, o risco de crédito, que é o potencial calote do emissor. Para mitigar esse risco deve-se buscar fundos com maior número de emissores. O investidor deve estar atento à política de investimentos constante do regulamento do fundo para conhecer quais tipos de crédito e nível de risco dos emissores, o chamado rating emitido pelas agências classificadoras de risco. Em outros termos, qual é a qualidade do crédito que o fundo está disposto a comprar.

O investidor também pode verificar quais são os emissores que compõem a carteira para verificar se são confiáveis e se os setores de atuação dessas empresas apresentam boas perspectivas. No entanto, quanto menor for o risco observado, menor deve ser o seu rendimento.

A despeito de fundamentos fortes, as incertezas estão aumentando, devemos viver menor crescimento externo e aumento dos riscos internos. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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