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Se você não fizer nada, a inflação ameaçará as suas economias e o seu modo de vida

Manter um plano de investimentos com uma estratégia bem definida que cubra a inflação é importante

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2022 | 04h00

Todos estamos pagando mais caro pela comida, para abastecer o carro, roupas, remédios e todo o restante. A inflação está comendo o orçamento das famílias, e o seu ímpeto não está diminuindo. O IPCA acumulado de 12 meses em fevereiro foi de 10,54%. O grupo da terceira idade praticamente não tem oportunidades de manobras para poder sobreviver nessa situação. Tudo fica mais complicado. 

O reajuste dos benefícios do INSS foi de 10,16%, portanto não cobriu a inflação. Mas os planos de saúde subiram 15%, sem falar que os serviços pioram muito, com filas maiores. Conviver com a inflação não é novidade para nós, brasileiros. Nas últimas décadas, passamos a ter a inflação em níveis mais baixos e deixamos de lado alguns dos hábitos e instrumentos que permitiam controlar o orçamento. 

Essa situação traz a questão: o seu plano de investimentos foi preparado para acompanhar os gastos que não param de aumentar?

Mesmo com taxas de inflação relativamente baixas, essa pergunta deve ser feita porque os efeitos a longo prazo podem ser bastante prejudiciais com a queda do poder de compra. Dessa forma, manter um plano de investimentos com uma estratégia bem definida que cubra a inflação é importante. Antes de pensar em ter boa rentabilidade, você deve pensar na proteção do seu dinheiro. E uma boa alternativa é a carteira mais carregada de títulos indexados à inflação.

São exemplos os títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro IPCA+, que oferece taxa fixa, mais a correção da inflação pelo IPCA. Hoje esses papéis estão sendo negociados a IPCA + 5,69% a 5,86% ao ano, com vencimentos possíveis em 2026, 2035 e 2045. A rentabilidade dos investimentos será de 5,69% ao ano, além da variação do IPCA para o vencimento em 2026. 

Para quem conta com rendimentos periódicos, há os títulos Tesouro IPCA+ com juros semestrais. São papéis negociados com vencimentos em 2032, 2040 e 2055, mas pagando semestralmente juros equivalentes à faixa entre 5,84% a 5,91% ao ano. O site do Tesouro Direto permite simulações com os diversos títulos ofertados. Assim, o investidor tem o seu dinheiro protegido e, ainda, com ganho acima de 3% ao ano, já descontados imposto e taxas.

O importante é comparar todas as opções tomando o cuidado de descontar imposto, taxas e a previsão de inflação, escolhendo aqueles que se encaixam melhor a sua carteira. Lembrando sempre de diversificar os investimentos. Mesmo que esteja carregado em renda fixa, isso é possível. Mas, principalmente, manter o seu orçamento organizado e buscando economizar. Se você ficar parado e não fizer nada, a inflação vai corroer as suas economias e pode afetar o seu modo de vida como aposentado. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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