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Novas opções de investimento

As PMEs terem fonte de capital é positivo, mas o investidor deve analisar os riscos

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2022 | 04h00

O mercado financeiro é pródigo em gerar inovações. Em junho, teremos novas oportunidades, com o início de operações de novas plataformas de negociações para investimentos em empresas. Serão investimentos direcionados a empresas ainda não presentes na nossa bolsa de valores, a B3. No dia 7 de junho a Bee4 iniciará operações para negociação de títulos de pequenas e médias empresas. São negócios com receitas anuais entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões, um segmento que não tem acesso à listagem da B3, com muitas dificuldades para obter crédito, mas com muito boas oportunidades de crescimento.

A Bee4 teve aprovação da CVM no ano passado para operações dentro do âmbito do sandbox regulatório – espécie de laboratório de inovações criado pela CVM em 2020. O objetivo dessa nova plataforma é prover capital de longo prazo para empresas ainda não robustas o suficiente para serem listadas na Bolsa mas não em estágios iniciais de suas operações, são empresas com receitas recorrentes. A Bee4 leva nome próximo à B3 de propósito, mas não se trata de uma bolsa de valores com pregões de negociação, mas um mercado de balcão organizado.

A forma de negociação, também, será novidade para muitos porque serão negociados tokens, conhecidos como tokens acionários (stock tokens). São ativos emitidos com base no blockchain que representam as ações (ou uma fração das ações) emitidas pelas empresas listadas na Bee4. Internacionalmente podem ser encontrados tokens acionários de companhias como a Tesla, a Microsoft e a Apple, entre outras. No País existem fundos que investem nesses ativos digitais.

Outra plataforma a que os investidores terão acesso, autorizada pela CVM, é a SMU, voltada a captações via crowdfunding, assim com foco em empresas em estágio inicial, no limite de R$ 40 milhões anuais. As duas plataformas não se entendem concorrentes entre si e em relação à B3. A Bee4 diz que, ao criar um mercado secundário para companhias emergentes, atua como um celeiro para crescimento das empresas, gerando um mercado alternativo de acesso ao mercado de capitais a todo um segmento empresarial com dificuldades de acesso a capital.

Segundo os sócios da Bee4, mesmo em cenário de juros altos, os mercados alternativos com potencial de maior ganho se tornam boas oportunidades. Na perspectiva geral, ter fonte de capital para as PMEs é positivo. Pelo lado do investidor, os riscos jurídicos e tecnológicos dos tokens são muito baixos. Mas os riscos de mercado e liquidez dos investimentos em si são bastantes altos, assim o investidor deve analisar as empresas muito cuidadosamente e só deve observar a diversificação de suas carteiras.

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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