Gabriela Biló/ Estadão
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Qualquer investidor pode obter um grau de diversificação adequado para a sua carteira

A recomendação é investir os recursos em diferentes classes de ativos. Assim, aplicando parte em renda fixa, outra em renda variável, parte em previdência, entre outras classes

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2022 | 04h00

O mundo de finanças é marcado por uma enorme quantidade de mantras muitas vezes tomados como leis. Frases de efeito ditas por gurus financeiros que, para muitos, são verdades indiscutíveis. Dentre os temas, a questão da diversificação é central. Tema polêmico, rende comentários, artigos e livros e permite tantos debates. Um dos gurus mais conhecidos é Warren Buffett, que repete que “a diversificação é uma proteção contra a ignorância. Faz pouquíssimo sentido para quem sabe o que está fazendo”.

Conhecido também é o livro Os Axiomas de Zurique, que traz que a diversificação reduz os riscos, mas também qualquer esperança de ficar rico. Essas frases podem ser resumidas no dito popular “quem não arrisca, não petisca”. De maneira geral, a manifestação contra a diversificação vem acompanhada de exemplos de quem se deu bem se arriscando mais, sem pensar em diversificação. No entanto, esse ângulo de observação é somente de quem se deu bem, e não trata de todos os outros que se deram mal.

Para a grande massa de investidores, a recomendação é diversificar. Começando por investir os recursos em diferentes classes de ativos. Assim, aplicando parte em renda fixa, outra em renda variável, parte em previdência, entre outras classes. A diversificação também deve ocorrer dentro de cada classe de ativos. Por exemplo, em renda fixa é possível investir em pré e pós-fixados, indexados a IPCA, CDI e Selic. Em renda variável, é possível comprar ações de empresas de diferentes setores e de diversos portes. Mas, atenção, o investidor precisa conhecer as diferenças entre os tipos de títulos para ter noção clara do nível de risco que irá assumir. Por exemplo, hoje investir em renda fixa prefixada pode ser tentador porque está oferecendo taxas altas, mas o risco é mais alto do que o de títulos pós-fixados. O investidor assume o risco da inflação.

Na renda variável, uma das questões mais discutidas é o número de ações que devem compor a carteira. Há inúmeros estudos com variações de 10 a 30 ações. No geral, com 15 ações a carteira está bem diversificada. Mas, a despeito de uma das melhores maneiras de os investidores suavizarem o caminho em períodos de maior volatilidade seja com uma seleção diversificada de ações, isso não é para todos os bolsos. Diversificação custa, e caro. No entanto, qualquer investidor pode obter um grau de diversificação adequado para sua carteira conhecendo mais os títulos e os fundos de investimento, não olhando somente para a rentabilidade, mas considerando o grau de risco do investimento. A maioria das pessoas está economizando para conseguir uma vida mais confortável, aposentadoria ou segurança para seus filhos, não para ficar rico. Para isso, planejamento e controle de riscos são essenciais.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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