Marcos Santos/USP Imagens
Marcos Santos/USP Imagens
Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Embora recessões façam parte do tecido de uma economia dinâmica, também trazem consequências ruins

Quanto mais preparados para o próximo ciclo recessivo, maiores chances de suportar a situação e de aproveitar as oportunidades quando a tempestade passar

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2022 | 04h00

Historicamente os brasileiros passaram por várias crises econômicas, trocas de denominação da moeda, inflação altíssima, entre outras circunstâncias que dificultaram a nossa vida financeira. Em épocas de inflação muito brava, nós nos tornamos rentistas à custa da renda fixa e sem correr grandes riscos. Nos últimos tempos, com a inflação mais comportada e juros muito baixos, para nosso padrão, começamos a olhar para a renda variável. Mas a festa não durou muito, e novamente temos a inflação a nos assustar. 

Quem começou o ano investindo teve ganho na Bolsa de 14,5% até o fim de março, e o dólar havia caído mais de 15%. Abril está terminando, e o dólar já subiu quase 3,2%, a Bolsa caiu perto de 9%. Manter o planejamento financeiro no Brasil é muito difícil. O cenário internamente não nos traz tranquilidade.

O último boletim do BC indica inflação na casa dos 8% no ano e pequeno crescimento do PIB, de 0,65%. O cenário externo também não está nada animador, a inflação desenfreada, as taxas de juros crescentes e as ações em queda, resultando em um número crescente de pessoas achando que a desaceleração econômica vem firme. Embora recessões façam parte do tecido de uma economia dinâmica, trazem consequências ruins. Assim, quanto mais preparados para o próximo ciclo recessivo, maiores chances de suportar a situação e de aproveitar as oportunidades quando a tempestade passar. 

Um artigo da Kiplinger deste mês traz fatos interessantes sobre esse fenômeno econômico. Nos EUA, a recessão trazida pela pandemia durou apenas dois meses, foi a mais curta da história, mas aquela economia ainda está se recuperando dos quase 21 milhões de empregos perdidos na crise. A duração média das recessões desde 1857 é inferior a 17,5 meses. Nesse período está inclusa a de 1873, que durou 65 meses. A Grande Depressão de 1929 durou 43 meses. No período após a 2.ª Guerra Mundial, as recessões tornaram-se menos severas, durando em média 11,1 meses. A crise de 2007-09, a mais longa no pós-guerra, de 18 meses, trouxe semelhanças ruins com a Grande Depressão. O período médio entre recessões está em quase cinco anos. 

Um bom preditor de desaceleração econômica é a inversão da curva de juros futuros, quando os títulos do governo de curto prazo rendem mais do que os de longo prazo. Um dos bons momentos para comprar ações é o início de uma recessão, porque esses títulos começam a subir na época da reviravolta econômica real. Mas temos de sobreviver à crise. Para isso, sair de dívidas e ter um fundo de emergência é essencial. Nessas circunstâncias, investir exige mais ainda conhecimento, objetividade e um grande grau de frieza. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.