Werther Santana / Estadão
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Realizada corretamente, recompra de ações pode ser forma de menor risco de criar valor a acionistas

A recompra é controversa entre os investidores: há os que veem o procedimento como desperdício de dinheiro, enquanto outros enxergam como uma maneira de administrar recursos de forma inteligente, gerando retorno com vantagens fiscais

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2022 | 04h00

A recompra de ações, aqui e no exterior, está batendo recordes. O cenário econômico tem levado ao mercado em baixa, o bear market. A despeito de o ganho acumulado pelo Ibovespa em 2022 ser de 6,23% até maio, tivemos em abril queda de 10,10%. Pelo lado internacional, o S&P 500 teve o pior momento em maio, com queda de 15%. 

Em nosso mercado, neste ano, companhias como Vale, B3, Gerdau, Hapvida e mais de outras 40 empresas mantiveram programas de ofertas públicas de aquisições de ações, conhecidas como OPAs, superando o volume de ofertas do mesmo período do ano passado. A recompra de ações é quando a empresa compra suas próprias ações em circulação para mantê-las em tesouraria ou cancelá-las. A recompra é usada pela empresa para aumentar o caixa, investir nas operações, pagar dívidas, comprar outra empresa. Pode ainda ser para cancelamento do registro de companhia aberta e aquisição de controle, entre outros. Mas, neste momento, está ocorrendo porque as empresas julgam que os preços estão mais baixos do que deveriam.  

A recompra de ações é controversa entre os investidores. Há aqueles que veem esse procedimento como desperdício de dinheiro; outros, como uma excelente maneira de administrar recursos de forma inteligente, gerando retorno com vantagens fiscais. 

No mercado norte-americano, a recompra é uma forma de distribuir dividendos sem que o investidor pague tributos. Lá, a taxação pode chegar a 30% dependendo do tipo de dividendo e da qualificação do investidor. No Brasil, não há tributos sobre dividendos. A recompra pode significar que a empresa busca reduzir seus gastos com dividendos. Mas também pode ser uma forma indireta de remunerar executivos ao recomprar ações recebidas dentro do plano de remuneração. 

As recompras realizadas corretamente são uma das maneiras de menor risco para criar valor aos acionistas. As recompras “recortam” o bolo do lucro em menos fatias. As recompras de ações podem ser boas ou ruins, isso depende muito de quem, quando e por que isso está sendo feito. Uma empresa que realiza recompra ao mesmo tempo que priva outras prioridades está quase certamente cometendo um grande erro que custará aos acionistas no futuro. 

Warren Buffett considera as recompras a maneira mais segura de uma empresa usar seu dinheiro de forma inteligente. Desde que observadas duas condições: a) que a empresa tenha dinheiro suficiente para gerir suas necessidades operacionais e de liquidez; e b) as ações da empresa devem estar sendo vendidas com desconto significativo em relação a uma estimativa conservadora de seu valor intrínseco. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP 

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