Taba Benedicto/ Estadão
Taba Benedicto/ Estadão
Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Taxa de inflação pessoal: ambiente inflacionário afeta as pessoas de maneira diferente

Cada pessoa ou família tem hábitos próprios e gasta seu dinheiro de maneira própria; orçamentos tendem a ser mais impactados com aluguel, alimentação, escola, transporte e energia

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2022 | 04h00

Todas as vezes que o índice de inflação é divulgado, ocorre uma reclamação geral de que a taxa não pode ser verdadeira porque as pessoas estão sentindo que as coisas estão bem mais caras. Hoje todos estão cientes de que nos últimos 12 meses a inflação no Brasil atingiu a 11,73%. O sentimento popular pode ser justificado pelo fato que as pessoas vão às compras e o seu bolso fica vazio mais rapidamente. Isso não é justificado do ponto de vista técnico. 

Para entendermos melhor a questão, precisamos saber mais sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do País. O IPCA verifica o aumento ou a diminuição de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população, de um mês para outro. Essa cesta de consumo tem como base a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE. O POF apura quanto a população consome e quanto do rendimento familiar é gasto em cada produto ou serviço. Exemplo: quanto é consumido de arroz, feijão, bebidas, cabeleireiro, transporte, educação, remédio e cinema, entre outros. Mas, buscando englobar a maior parte da população, é apontada a variação do custo de vida médio das famílias de 1 a 40 salários mínimos. Aqui temos a primeira pista do porquê de o sentimento de aumento de preços não bater com o que está sendo divulgado. 

Se você não está nesse grupo familiar, os seus gastos são diferentes. Mais ainda, mesmo que esteja nesse grupo, dependendo de como você gasta, sua própria taxa pessoal pode ser muito menor ou maior. Além disso, há a questão da regionalidade, que sofre com os preços de maneira diferente dependendo da localidade. O aumento de preços, também, atinge de maneira distinta dependendo da faixa de idade. 

O ambiente inflacionário afeta as pessoas de maneira diferente. Pode-se admitir que há uma “taxa de inflação pessoal”. Cada pessoa ou família tem hábitos próprios e gasta seu dinheiro de maneira própria. Os orçamentos tendem a ser mais impactados nas áreas de gastos mais elevados, aqueles ditos não discricionários, como aluguel, alimentação, escola, transporte e energia. Itens como presentes, lazer e carro novo também podem se tornar um problema. 

As pessoas, conhecendo melhor os seus orçamentos, podem saber qual a sensibilidade de certos itens conforme a inflação aumenta, assim adiando a compra quando possível, trocando produtos e marcas. Pode-se, também, buscar tornar a casa mais eficiente do ponto de vista do consumo de energia. O fato é que a persistência e os números assustadores da inflação deixaram todos preocupados. Mas, se você dedicar um tempinho para rever como gasta e calcular sua taxa de inflação pessoal, poderá encontrar algumas soluções para facilitar a sua vida. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.