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O trabalhador deve investir seu FGTS no processo de privatização da Eletrobras?

Investidor deve considerar o prazo e a importância de seus objetivos em relação à aplicação e dessa forma ter a perspectiva se o grau de risco é aceitável

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2022 | 04h00

Nesta semana, o Tribunal de Contas da União aprovou a privatização da Eletrobras. A companhia irá emitir novas ações de forma a reduzir a participação da União no capital da empresa de cerca de 72% para no máximo 45%. Ainda faltam alguns trâmites burocráticos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na Securities and Exchange Commission (SEC) para que essa oferta de ações seja concluída. Um negócio que irá movimentar R$ 67 bilhões e que traz a possibilidade de que os trabalhadores possam usar o FGTS para participar desse processo. 

A utilização de recursos do FGTS em privatizações ocorreu anteriormente em três ocasiões: Petrobras, em 2000; Vale do Rio Doce, 2002; e Petrobras, novamente, em 2010. A exemplo desses casos, os interessados deverão comprar cotas de Fundos Mútuos de Privatização ligados ao FGTS (FMP-FGTS). 

Os trabalhadores poderão usar até 50% do saldo no FGTS e valor mínimo de aplicação de R$ 200. Muitos estão se perguntando se vale a pena transferir recursos aplicados com ganho fixo para um fundo de ações monoativo. O trabalhador deve refletir com cuidado. Esse investimento não será, necessariamente, interessante para todos. 

Devemos considerar que o FGTS rende TR + 3% ao ano, sendo que, desde 2017, ocorre distribuição de lucros do fundo. Com inflação baixa e juros baixos, o rendimento do FGTS chega a ser maior do que a inflação e do que a caderneta de poupança, como ocorreu entre 2018 e 2020. No cenário de juros altos, o rendimento fica ruim. Estamos vivendo essa situação desde 2021. O rendimento-base do FGTS é muito baixo e só se torna ganho real quando os juros da nossa economia estão muito baixos. 

Isso não significa que é a única chave de decisão para tirar o dinheiro do FGTS. O investidor deve considerar que estará investindo nas ações de uma única empresa. Por outro lado, tomando como exemplo os FMPs da Vale e da Petrobras, houve ganhos reais para o investidor ao longo do período desde o aporte, a despeito de períodos de perdas.

Outra coisa: caso o investidor queira sair do fundo, o dinheiro volta para a conta do FGTS. Mas há uma vantagem em relação a outros fundos: no FMP, não há o come-cotas, o imposto de renda é descontado na fonte quando do resgate. No entanto, a taxa de administração desses fundos é alta, o que come bastante a rentabilidade. O FMP pode valer a pena para diversificar a carteira e trazer alguma rentabilidade adicional porque, além da valorização, o fundo recebe dividendos das empresas investidas. O investidor deve considerar o prazo e a importância de seus objetivos em relação a essa aplicação no FMP e dessa forma ter a perspectiva se o grau de risco é aceitável. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP 

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