Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Fabio Schvartsman, da Klabin, será o novo presidente da mineradora Vale

Novo executivo, que assume no lugar de Murilo Ferreira em maio, foi escolhido em um processo conduzido pelos presidentes do Bradesco e do Banco do Brasil, grandes acionistas da empresa; nome considerado técnico agradou ao mercado

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 22h04

O executivo Fabio Schvartsman, atual presidente da fabricante de celulose Klabin, será o novo presidente da Vale, em substituição a Murilo Ferreira. A informação foi antecipada pela colunista Sonia Racy, no ‘Portal Estadão’, e oficializada à noite pela mineradora.

Com a definição do novo presidente, um nome considerado técnico – além da Klabin, também teve uma longa passagem pelo grupo Ultra e pela Duratex –, os acionistas da Vale acreditam ter passado a mensagem de que a mineradora está mais blindada da ingerência política. Nos últimos meses, grupos políticos, ligados principalmente ao PMDB e ao PSDB mineiro, vinham tentando emplacar seus candidatos ao comando da companhia.

De acordo com fontes ligadas à empresa, a pressão foi realmente forte. O presidente Michel Temer chegou a afirmar aos políticos que não iria interferir na troca de comando da empresa, que deveria seguir critérios de mercado. O processo de seleção foi conduzida pela consultoria Spencer Stuart, que teria formulado uma lista de candidatos.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, acompanharam de perto todo o processo e selecionaram o nome de Schvartsman. Entre os nomes que chegaram a ser cotados para o cargo estavam o do presidente da Suzano, Walter Schalka, e o do presidente da Cosan, Marcos Lutz.

Segundo fontes, Murilo Ferreira chegou a atuar até o último momento para se manter no cargo. Mostrou descontentamento por ter de deixar a direção da companhia no dia 26 de maio, quando vence seu mandato, e chegou a levantar a investidores nacionais e estrangeiros dúvidas sobre uma possível escolha política para substituí-lo.

O diretor de Recursos Humanos, Sustentabilidade, Integridade Corporativa e Consultoria Geral da Vale, Clovis Torres, foi um dos principais defensores da manutenção de Ferreira no cargo. E, quando essa possibilidade foi posta de lado, fez um “périplo” por Brasília, em busca do apoio de parlamentares do PMDB e do PSDB para o seu próprio nome.

Dentro do processo de se blindar da ingerência política, a Vale já fez um forte movimento este ano: propôs uma reorganização societária que resultará, a partir de 2020, em uma empresa sem controle definido, com a pulverização de suas ações na Bolsa, no modelo adotado hoje por empresas como a Embraer e a Renner.

O histórico positivo de Schvartsman na Klabin e na Ultrapar trouxe alívio ao mercado. Em nota, o BTG Pactual diz que a escolha “minimiza as preocupações dos investidores em relação à interferência política na companhia, o que nós vemos positivamente”. As ações da mineradora fecharam em alta de 1,34% (ON) e 2,49% (PN).

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