Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Fábrica atua com turno incompleto e 60% da capacidade

Empresa de Santo André, no ABC paulista, reduziu número de funcionários de 92 para 54 e deixou de operar em dois turnos

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2019 | 05h00

A Tec Tor, que produz máquinas e equipamentos para siderúrgicas, indústrias de cimento, de papelão para embalagens, usinas de álcool e açúcar e para o setor de mineração, sentiu o baque da economia. A fábrica, instalada em Santo André, no ABC paulista, funciona hoje em um turno incompleto e usa 60% da capacidade de produção. Até 2016, operava em dois turnos. O número de trabalhadores também diminuiu. Eram 92 três anos atrás e hoje são 54. 

Há 32 anos com a empresa, Carlos Nobre, presidente da Tec Tor, diz que nunca viu um cenário tão dramático. “Já passei por várias crises e planos econômicos – Plano Collor, Plano Bresser, Plano Verão. Todos são fichinha perto do que está acontecendo agora.”

O estudo do Ibre/FGV mostra que as fabricantes de máquinas e equipamentos – o segmento no qual a empresa atua – são as que registraram os menores índices de ocupação da capacidade instalada neste início de ano entre 15 setores analisados. Segundo o levantamento, a média foi de 63,8% entre janeiro e março, ante a média histórica de 79,8% do segmento. Como a produção de máquinas e equipamentos está diretamente ligada ao investimento, ela é fortemente atingida quando a economia empaca. 

Dos cinco segmentos com os quais trabalha, Nobre diz não saber qual está pior. O volume de pedidos, que em outras épocas era para dois ou três meses, hoje não chega a um mês. “Estamos em voo de galinha: melhora um mês e piora no outro. Ainda não conseguimos enxergar uma luz no final do túnel”, diz o empresário que, apesar do aperto, continua otimista.

Ele diz que sua empresa não deve para bancos e que está fazendo ginástica para enfrentar os tempos difíceis: continua com a equipe de vendas na rua tentando captar pedidos, negocia com fornecedores prazos de pagamento, ao mesmo tempo em que procura encurtar o prazo de recebimento dos clientes.

O empresário destaca, porém, que a indústria continua financiando o governo com o pagamento de impostos. “No passado, primeiro o empresário recebia dos clientes para depois pagar os impostos. Hoje ele primeiro recolhe o imposto para, lá na frente, receber do cliente.”

Apesar do momento delicado, Nobre diz que vê sinais positivos e que o governo está tentando quebrar paradigmas do “toma lá dá cá”. “Estou com esperança de que, após passarem essas reformas primordiais – Previdência e tributária –, o Brasil comece a entrar na linha. Por enquanto, estamos comendo o pão que o diabo amassou."

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