Fábrica da chinesa Foton no Rio deve ter financiamento de até 80% do BNDES

A primeira fábrica no Brasil da montadora chinesa de caminhões Foton Motors Group contará com até 80% de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo a empresa. O investimento na primeira fase, com inauguração marcada para 2015, é de R$ 250 milhões e será realizado via Foton Aumark do Brasil, companhia brasileira que hoje importa e distribui caminhões do grupo chinês.

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h08

O Rio de Janeiro planeja dar até R$ 250 milhões em incentivos econômicos, ao longo de dez anos, para abrigar a montadora, empresa privada fundada em 1996 em Pequim e que fabrica cerca de 750 mil caminhões por ano. O Rio venceu a concorrência para receber o investimento com Estados como Rio Grande do Sul, São Paulo e Bahia.

O vice-presidente corporativo da Foton Brasil, Orlando Merluzzi, disse que "a rapidez e a firmeza" do Estado pesaram mais na decisão do que os incentivos concedidos.

O investimento estava programado para 2018, mas foi antecipado para ser enquadrado no Inovar-Auto. O programa, criado para atrair montadoras estrangeiras, isenta as empresas dos 30 pontos porcentuais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados.

Sócio. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, disse que o Rio entrará como sócio do empreendimento, dentro de um limite de até 30%. O porcentual variará de acordo com a necessidade do projeto. Será uma forma de viabilizar o investimento e aportar capital até que a liberação do financiamento saia, diz. Segundo ele, este será também um investimento para o Estado. Bueno espera poder vender a participação com lucro entre três a cinco anos depois da aquisição, o que diz já ter feito anteriormente com outra montadora, com sucesso.

O pedido de financiamento ao BNDES ainda não foi feito. Hoje, Merluzzi tem audiência no Ministério de Desenvolvimento, em Brasília, para enquadrar a empresa no Inovar-Auto.

O Rio também ofereceu R$ 25 milhões para compra do terreno, além de ofertar benefícios fiscais. Merluzzi contou que o primeiro caminhão está programado para sair da planta em outubro de 2015. Terá, segundo ele, um acabamento interno que se aproxima do de automóveis de passeio. A capacidade da primeira fase será para 20 mil caminhões leves por ano em um turno, segundo antecipou o Estado na edição de sábado.

Até o início da produção, a empresa poderá importar até 5 mil caminhões com isenção de IPI, um benefício do Inovar-Auto para estimular a vinda de estrangeiras para o País. Bueno destaca que a arrecadação de ICMS da importação será feita pelo Rio, beneficiando o Estado, e que todos os incentivos econômicos se pagarão com folga em retorno de longo prazo.

As primeiras unidades sairão com apenas 15% de conteúdo nacional, já que boa parte das peças virá da China. A meta é ampliar esse índice para entre 60% e 65% ao longo de dois anos e meio. A cabine virá pintada e praticamente pronta da China, sendo acrescentados itens como vidros e bancos.

Durante o período de construção da fábrica, que será nos municípios de Seropédica ou Itatiaia, em local a ser escolhido, a expectativa é de espalhar 90 concessionárias da marca pelo Brasil.

Merluzzi disse que uma segunda fase está programada para 2018, com ampliação para caminhões pesados e extrapesados e possibilidade de instalação de outras empresas fornecedoras no local. Poderão ser produzidas até 50 mil unidades ao ano, disse. O investimento previsto não foi divulgado. "Há preconceito contra o produto chinês, mas isso é falta de informação. Nossos caminhões são uma commodity", disse, sobre o uso de máquinas de fornecedores internacionais que considera de primeira linha.

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