Conflito na Foxconn deixa 40 feridos

Briga em fábrica da empresa na China envolveu cerca de 2 mil funcionários, e foi contido por um batalhão de 5 mil policiais

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h09

Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas em uma briga que envolveu cerca de 2 mil operários em uma das fábricas mantidas na China pela taiwanesa Foxconn, maior fabricante de produtos eletrônicos do mundo. O conflito começou às 23h do domingo e só foi controlado por um batalhão de 5 mil policiais às 9h de ontem, segundo a agência oficial de notícias 'Xinhua'.

A planta emprega 79 mil trabalhadores e permaneceu fechada ontem para investigação das circunstâncias do tumulto. Com uma lista de clientes que inclui Apple, Dell, Amazon e Microsoft, a Foxconn possui 1,1 milhão de empregados na China, espalhados em 13 fábricas que produzem eletrônicos sob encomenda para grandes marcas globais.

Relatório divulgado em março pela Fair Labor Association apontou uma série de irregularidades trabalhistas nas fábricas do grupo taiwanês na China, algumas das quais chegam a ter 200 mil operários. Entre os abusos, estavam jornadas de trabalho de 60 horas semanais, cumpridas muitas vezes em até 11 dias consecutivos.

A investigação foi realizada a pedido da Apple e levou a um acordo para melhoria das condições de trabalho na Foxconn.

O conflito de domingo ocorreu na planta localizada na cidade de Taiyuan, capital da província de Shanxi, no norte do país. Em nota, a companhia afirmou que o confronto foi originado por divergências de natureza pessoal, sem relação aparente com condições de trabalho.

A Foxconn não informou se o novo iPhone 5 é fabricado no local, mas reportagem publicada no dia 27 de agosto no Shanghai Evening Post afirma que sim. Um repórter do jornal trabalhou 11 dias como operário na fábrica de Taiyuan e participou da produção do iPhone 5 no local.

Tumulto. Antes do conflito de domingo, cerca de 100 trabalhadores da fábrica de Chengdu se envolveram em um tumulto no dormitório da empresa depois de um pequeno grupo de operários ter se desentendido com o proprietário de um restaurante da cidade. Explosão ocorrida na mesma planta em maio do ano passado provocou a morte de três operários.

Em 2010, as condições de trabalho na Foxconn ganharam projeção mundial quando 18 funcionários da empresa tentaram suicídio pulando das janelas de seus dormitórios - 14 deles morreram. Para resolver o problema, a Foxconn acabou instalando redes de proteção em volta de suas instalações.

Na semana passada a companhia taiwanesa anunciou que pretende construir sua nova fábrica no Brasil na cidade paulista de Itu. O investimento previsto é de R$ 1 bilhão e deverá gerar 10 mil empregos diretos.

O valor é bem inferior aos US$ 12 bilhões (R$ 24,3 bilhões) que o governo brasileiro anunciou que a empresa pretendia investir no País, durante visita da presidente Dilma Rousseff à China, em abril de 2011.

Na época, o presidente da Foxconn, Terry Gou, afirmou que sua intenção era criar um complexo industrial no qual trabalhariam 100 mil pessoas.

A Foxconn possui outras operações no Brasil, com a fábrica de produtos da Apple em Jundiaí, interior de São Paulo.

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