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Fábrica da Nestlé é ocupada por mulheres do MST em Minas Gerais

Empresa tem operação no setor de água mineral em São Lourenço; ocupantes se dizem contra a 'entrega das águas às corporações internacionais'

Leonardo Augusto, especial para o Estado

20 Março 2018 | 16h19

BELO HORIZONTE - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam hoje, 20, a fábrica da Nestlé em São Lourenço, região Sul de Minas Gerais, a 393 quilômetros de Belo Horizonte. A empresa tem operação no setor de água mineral na região.

Segundo o MST, a ocupação foi feita por 600 mulheres integrantes (a Polícia Militar informa 400) do movimento durante a Jornada Nacional de Lutas, para denunciar "a entrega das águas às corporações internacionais, conduzida a passos largos pelo governo golpista de Michel Temer". 

A ocupação acontece enquanto ocorre em Brasília o Fórum Mundial da Água. “Imagina você ser obrigada a comprar em garrafinhas toda a água para matar a sede durante o dia. Ninguém aguentaria isso. É o que querem as empresas reunidas nesse momento naquele Fórum”, afirmou Maria Gomes de Oliveira, da direção do MST.“É muita petulância fazer um fórum internacional para comercializar nossas reservas de água. Eles não estão lá para debater gestão de nada, estão fazendo um leilão para vender o país a preço de banana”, seguiu a dirigente, em texto sobre a ocupação.

Outro lado. Em nota, a Nestlé Waters afirmou que "a unidade da empresa em São Lourenço (MG) foi ocupada na manhã do dia 20/03 por manifestantes e que parte de suas instalações foi atingida durante o ato. Não houve feridos. A companhia reitera que respeita a liberdade de expressão e opinião, mas lamenta que a manifestação tenha gerado danos nas instalações, local de trabalho de mais de 80 colaboradores".

A Nestlé disse ainda "que está totalmente comprometida com a administração sustentável dos recursos hídricos e o direito humano à água. Em todos os locais onde extrai água, realiza estudos de recursos hídricos e monitora frequentemente as retiradas para garantir que não afetem as bacias hidrográficas locais e os aquíferos".

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