Fábrica da Novartis no País quer exportar genéricos aos EUA

A Novartis pede autorização do governo americano para exportar remédios genéricos do Brasil para o bilionário mercado dos Estados Unidos. Segundo a empresa suíça, o pedido foi para que a fábrica da companhia em Taboão da Serra (SP) seja certificada para exportar a partir do segundo semestre. O objetivo da Novartis é vender cerca de R$ 400 milhões até 2010. A Novartis ainda anunciou nesta quinta-feira um aumento recorde de vendas no País em 2006, atingindo R$ 1,53 bilhão. O resultado global da empresa, apesar de bater mais um recorde, ficou abaixo das expectativas do mercado e as ações da companhia sofreram uma pequena queda.Segundo dados apresentados pela empresa, um aumento de mais de 100% de suas exportações do Brasil para outros mercados já ocorreu entre2005 e 2006. As vendas para o exterior chegam a R$ 143 milhões. Hoje, porém, as exportações estão baseadas na venda de matérias primas para a fabricação do Diovan. Mas o plano é de também exportar genéricos e, assim, reverter o déficit na balança comercial. O presidente mundial da empresa, Daniel Vasella, confirmou ao Estado que pretende visitar o Brasil em julho para inaugurar a fábrica em Taboão já certificada pelo governo americano. Segundo os cálculos da empresa, o mercado americano deverá crescer em 10% por ano até 2011 e hoje representa mais de US$ 2 bilhões em vendas da empresa. Já mercado latino-americano, destino também das exportações brasileiras, deverá ser o que mais crescerá em termos de vendas de genéricos até 2011. A previsão é de um aumento de 12%, contra a média mundial de 10%. No ano passado, as vendas para a região já aumentaram em 36%, uma das maiores do mundo. Em 2006, a divisão de genéricos da Novartis, a Sandoz, viu suas vendas total aumentarem em 27%, atingindo quase US$ 6 bilhões. Apesar dos planos de exportação, o Brasil continua perdendo investimentos na área de pesquisa farmacêutica para a Ásia. Empresas multinacionais como a Novartis, AstraZeneca e outras começam a abrir centros de pesquisa avançada nas cidades chinesas, atraídos pelo mercado, pela proteção aos investimentos oferecida pelos governos e, em especial, pelos mais de 170 mil cientistas altamente qualificados no país. Vasella confirmou que chegou a negociar a abertura de um centro de pesquisas de ponta no Brasil, mas acabou optando pela Ásia. "Condições básicas são necessárias para atrair investimentos em pesquisa. O primeiro deles e um sistema sólido de proteção de patentes. Sem isso, o Brasil não pode esperar por investimentos", explicou. Outro fator seria a capacidade de produção científica no País. "O Brasil tem bons institutos, mas não vimos consistência suficiente para estabelecer um acordo", disse Vasella. A empresa abriu um centro para a pesquisa de doenças tropicais em Cingapura que chegou a ser cogitado para ir ao Brasil. Na China, a Novartis gastará mais de US$ 100 milhões para abrir um centro de pesquisas em Xangai em julho onde irá empregar mais de 400 cientistas. Vasella não esconde que também está de olho no mercado chinês. Com uma renda maior, os chineses já apresentam problemas de saúde típicos de países ricos, como diabete. PatentesSe na China as leis de patentes ainda são praticamente inexistentes, os executivos revelam que, em Pequim, a diferença é que, quando querem investir, recebem garantias do governo para que possam fazer avançar seus planos. "Vamos à China e escutamos que querem aumentar a proteção às patentes e reforçar as garantias. No Brasil, a mensagem é de que vão quebrar patentes. Não podemos fazer investimentos com essa atitude do governo", justifica Luis Villalba, presidente da Novartis para as Américas. O governo brasileiro, porém, tem outra versão e garante que a possibilidade de quebra de patentes tem tido um efeito positivo nas negociações para a redução dos preços dos remédios que as multinacionais vendem no País.A Novartis admite que poderá voltar a tentar uma negociação com cientistas locais, mas que fará em etapas para não ter prejuízos. Uma das idéias em discussão seria a de iniciar uma pesquisa conjunta de um produto com um instituto nacional, como a Fiocruz.Vendas - A Novartis ainda registrou um aumento recorde de vendas no País em 2006. O grupo teve um crescimento de 14% em suas vendas. O aumento, porém, apenas permite que a empresa comece a recuperar a parcela do mercado perdida entre 2002 e 2005. A Novartis chegou a ter 7,2% do mercado nacional, mas caiu para 6,1%. RankingA empresa suíça voltou a ocupar a terceira colocação no ranking das empresas do setor no Brasil, ainda que suas vendas de genéricos não tenham crescido em 2006. O grupo alega que ainda está em uma fase de adaptação no que se refere ao setor e questiona o controle de preços como melhor forma para evitar a alta nos medicamentos. ?O que gera a queda de preços é a concorrência, não um controle ?, afirmou Vasella. Em seus resultados globais, a Novartis anunciou um ano de recorde em vendas e lucros líquidos. Sétima maior empresa do mundo no setor, a Novartis obteve um aumento de 15% em suas vendas, somando US$ 37 bilhões. Já o lucros aumentaram em 17%, somando US$ 7,2 bilhões.

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