Fábrica de extintor corta 40% dos funcionários

Empresa alega queda de pedidos depois que o Contran acabou com a obrigatoriedade do equipamento, diz o Sindicato dos Metalúrgicos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 02h04

A fábrica de extintores de incêndio Resil, de Diadema, no ABC paulista, demitiu nesta segunda-feira, 26, 350 funcionários, o equivalente a 40% do seu quadro de funcionários. A empresa alega a suspensão de pedidos, em especial das montadoras, após a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que acabou com a obrigatoriedade do equipamento nos automóveis.

A decisão que torna o uso facultativo foi anunciada no dia 17 de setembro. A obrigatoriedade dos extintores estava em vigor no País desde 1970.

O Contran havia determinado a substituição de todos os equipamentos pelo tipo ABC, que é mais eficiente, até 1º de outubro. Após provocar uma corrida de consumidores às lojas (a medida já havia sido adiada quatro vezes), a decisão também foi revogada.

"As empresas investiram para dar conta desse aumento de demanda. A Resil contratou trabalhadores e ampliou sua estrutura. Agora vem essa decisão que surpreendeu a todos", disse o coordenador da regional Diadema do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, David Carvalho. "É preciso debater a obrigatoriedade ou não com o governo, empresas e o movimento sindical, já que o equipamento gera postos de trabalho e salva vidas."

Manifestação. Nesta terça-feira, 27, o sindicato realizará manifestação em frente à Resil, a partir das 8h, e depois os trabalhadores seguirão em passeata até a Rodovia dos Imigrantes. Segundo Carvalho, novas demissões podem ocorrer na empresa. Nenhum representante da Resil foi localizado nesta segunda-feira para comentar o assunto. Segundo o sindicalista, a empresa empregava 850 trabalhadores e 60% de sua produção é de extintores para carros de passeio. A obrigatoriedade do equipamento foi mantida para veículos comerciais.

O sindicato defende que a resolução seja revista. "Estamos nos articulando em Brasília para que a medida seja revogada e que se faça uma discussão com toda a sociedade. Por trás de uma decisão burocrática, existem empregos em jogo", afirmou Carvalho.

Segundo ele, a Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos contra Incêndio (Abiex) estima que a medida pode gerar a perda de até 10 mil empregos no setor em todo País.

Já há um decreto legislativo do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) tramitando na Câmara que pede a anulação da medida. O deputado Vicente Cândido (PT-SP) apresentou requerimento pedindo urgência para apreciação do decreto.

 

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