Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Fábrica fica pronta, mas Honda desiste de inaugurar por causa da crise

Unidade de Itirapina, em São Paulo, recebeu investimento de R$ 1 bilhão e já havia feito até testes na linha de montagem, mas, com a queda de 20% nas vendas de veículos no País este ano, montadora adiou a abertura por tempo indeterminado

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2015 | 05h00

Preocupada com a crise, a Honda desistiu de inaugurar sua segunda fábrica no País, em Itirapina, interior de São Paulo, prevista para o primeiro semestre de 2016. A fabricante japonesa é uma das poucas que registram crescimento de vendas, num mercado que cai mais de 20%. Ainda assim, o grupo informou ontem que só definirá uma nova data “de acordo com a evolução do mercado”.

As obras da fábrica estão prontas desde abril. Nos últimos meses, todos os equipamentos foram instalados e a empresa realiza testes das máquinas de solda, estamparia e linha de montagem. Cerca de 120 funcionários foram contratados e, segundo a Honda, serão mantidos para continuar com os testes.

“Nos últimos meses, o cenário econômico se deteriorou muito, com forte desvalorização cambial, inflação, alta dos juros e recessão, que refletem a situação político-econômica do Brasil e da América do Sul e impactam significativamente o mercado de automóveis”, informou a empresa, em nota. “Com isso, nossa expectativa é manter o mesmo nível de vendas deste ano, o que poderá ser suprido pela fábrica de Sumaré (SP)”. A unidade atualmente opera com 2,30 horas extras diárias.

A filial de Itirapina, cujo investimento soma R$ 1 bilhão, dobra a capacidade produtiva do grupo, de 120 mil veículos ao ano na fábrica de Sumaré (SP). O primeiro modelo a ser feito no local seria o Fit, para dar espaço em Sumaré à ampliação da produção do utilitário-esportivo HR-V, do Civic e do City.

De janeiro a setembro, as vendas da Honda cresceram 17,4%, para 112,6 mil unidades. O mercado geral de automóveis caiu 20,5%, para 1,6 milhão de unidades. A montadora credita o desempenho à renovação de sua linha de produtos e ao lançamento, em março, do HR-V, que tem fila de espera de dois meses e já é o modelo mais vendido da marca.

Inicialmente, a fábrica de Itirapina ia entrar em operação no fim deste ano, mas a data já havia sido adiada para até junho de 2016. A Honda informou que os investimentos no projeto estão mantidos. “A unidade estará pronta para iniciar a produção em massa assim que houver melhor previsibilidade do mercado.”

Mais duas montadoras estão previstas para iniciar operações no primeiro trimestre de 2016: a Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP), e a Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ). Ambas produzirão veículos premium.

Frustração. O anúncio do adiamento da fábrica da Honda foi recebido com tristeza e frustração em Itirapina. “A expectativa era muito grande, pois a cidade não tem emprego”, afirmou Mário Mroczinski, presidente da Associação Comercial.

“Os grandes empregadores aqui são dois presídios e a prefeitura”, disse. Ele esperava que a instalação da Honda mexeria com a economia da cidade. “Com ela, também chegariam empresas terceirizadas para atender a montadora.”/ COLABOROU RENE MOREIRA

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