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FABRICANTE DE CAMINHÃO TENTA NOVA REAÇÃO

Montadoras estão com os pátios lotados, com empregados em casa ou ameaçados de demissão

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h01

As medidas de incentivo ao mercado de caminhões, anunciadas na quarta-feira com a manutenção do corte de IPI para automóveis, pegam a indústria de pesados com pátios lotados e dispensa de funcionários. A fábrica da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, está totalmente parada hoje e os 9 mil funcionários só retornam na terça-feira.

Neste mês, a empresa suspendeu a produção em vários setores por cinco dias, incluindo hoje. A empresa tem também quase 1,5 mil operários em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) desde junho. O retorno, previsto para novembro, só ocorrerá se houver reação do mercado. De janeiro a julho, a produção total da indústria de caminhões caiu 40% em relação a igual período de 2011, para 75,4 mil unidades.

"As medidas do governo são muito positivas, mas o mercado de caminhões não reage tão rapidamente como o de carros", diz o diretor de comunicação da Mercedes, Mário Laffitte.

Segundo ele, a montadora vem negociando com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC medidas para evitar a demissão do pessoal que está afastado temporariamente, mas o cenário atual ainda não permite afirmar que isso será possível.

Na MAN/Volkswagen, 270 trabalhadores foram colocados em lay-off pelo período de julho a novembro. O presidente da companhia, Roberto Cortes, torce por uma retomada significativa de vendas nos próximos meses, o que pode levar à antecipação da volta desse pessoal. Hoje, a fábrica de Resende (RJ) tem estoque para dois meses de vendas.

Cortes ressalta que o pacote anunciado pelo governo contempla antigas reivindicações do setor. Estão incluídos juros menores para o financiamento de caminhões novos - que passa a 2,5% ao ano, o que, descontada a inflação, significará taxas negativas -, financiamento para veículos usados e depreciação acelerada. Antes, o custo do caminhão era abatido no Imposto de Renda do frotista em quatro anos, prazo agora reduzido para um ano. As medidas vão vigorar até o fim de dezembro, o que, na visão de Cortes, pode provocar uma corrida às lojas.

Para Roberto Leoncini, diretor-geral da Scania, além das medidas direcionadas ao setor, ações em outros segmentos se refletem positivamente no crescimento da economia, o que indiretamente também beneficia o setor de caminhões. "Essa lógica é simples: se há mercadoria a ser transportada, há demanda por caminhões."

Ele ressalta que as atenções da empresa "estão voltadas para as regras operacionais que serão estabelecidas pelo BNDES e a aceitação delas pelos bancos repassadores, que são peças fundamentais para o cliente conseguir crédito e para a efetividade dessas medidas". A Scania, que deu férias coletivas e folgas aos trabalhadores em vários períodos do ano, atualmente opera em ritmo normal, segundo a empresa, pois também exporta produtos para a América Latina.

A Ford opera desde janeiro apenas quatro dias por semana na unidade de caminhões em São Bernardo, e a Volvo não renovou os contratos temporários de 208 empregados da unidade de Curitiba (PR) que venceram em julho. As duas empresas vão aguardar a reação do mercado nos próximos dias, antes de fazerem comentários sobre as novas medidas do governo.

Euro 5. Além da queda da demanda em razão do desaquecimento da economia, o setor teve de adotar este ano nova tecnologia nos motores, chamada de Euro 5, que deixou os caminhões menos poluentes, mas em média 15% mais caros. Essa mudança provocou a antecipação de compras do caminhão Euro 3 no ano passado e, consequentemente, na queda de vendas dos novos produtos. Até quarta-feira foram vendidas 91,4 mil unidades neste ano, 19,3% mais que no mesmo período de 2011.

O presidente executivo da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção, diz que o estoque de caminhões Eur0 3 já acabou na maioria das revendas de todas as marcas. Ele aposta na melhora das vendas nesses últimos meses do ano. "É possível que ocorra uma antecipação de compras e, como as empresas reduziram a produção, pode até faltar produto."

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