Fabricantes chineses se preparam para produzir automóveis no País

Enquanto o grupo SHC planeja unidade local, a concorrente Chery vai instalar fábrica de carros compactos em Jacareí

, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2011 | 00h00

O grupo SHC tem intenção de construir uma fábrica para produzir no País os modelos da JAC e entregou recentemente ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior projeto com seus planos. Sérgio Habib, presidente da empresa, afirma que o documento é uma prevenção, pois ainda avalia a possibilidade da unidade local.

"Uma fábrica só é viável se produzir mais de 100 mil veículos por ano", justifica o executivo. A concorrente Chery, por sua vez, escolheu a cidade de Jacareí (SP) para instalar uma fábrica de carros compactos.

Inicialmente, a Chery vai produzir 50 mil unidades ao ano a partir de 2013, mas o plano é atingir 150 mil, com investimento de US$ 400 milhões. Os dois primeiros modelos a serem produzidos são o hatch Face e o sedã A13.

Também manifestaram interesse em bases locais de produção as marcas Lifan, Chana, Hafei, Haima, BYD e Dongfeng. As quatro primeiras já atuam como importadoras, mas, apesar das declarações, nenhuma tem projeto concreto para filiais no País.

A imagem dos chineses está mudando no Brasil, acredita Habib. Segundo ele, em 2008 foi realizada pesquisa com 500 clientes das 50 revendas do grupo (Citroën, Ford e Volkswagen)e metade disseram que não comprariam um carro chinês. "A pesquisa foi repetida recentemente e 80% responderam que comprariam, desde que o carro tenha estilo e seja bom."

Componentes elétricos. De olho no potencial de novas clientes, a chinesa Johnson Eletric, no País há cerca de dez anos, vai anunciar uma nova fábrica em São Paulo nos próximos meses para a produção de componentes elétricos. O recém-empossado presidente da empresa na América do Sul, Jorge Delic, diz que vários itens hoje importados passarão a ser feitos localmente.

A Johnson tem uma unidade em Guarulhos, na Grande São Paulo, com 110 funcionários, e outra na Argentina, com 70 pessoas. São operações adquiridas nos últimos seis anos do grupo italiano Gate e Mma. Antes, atuava apenas na importação.

As duas unidades faturam US$ 70 milhões. "Nossa projeção é triplicar este faturamento nos próximos três anos, por meio de produção local e importação", afirma Delic, que trabalhou durante 14 anos na fabricante de autopeças de origem francesa Faurecia.

Além do setor automotivo, abastecido com sistema de refrigeração de motores (composto por motor elétrico, ventoinha, chicote elétrico e atuadores), a empresa fornece produtos para empresas de linha branca, informática, rádio e TV, entre outras.

No mundo todo a Johnson Eletric tem 20 fábricas, das quais cinco na China, duas na Coreia e as demais nos Estados Unidos, França, Alemanha e vários outros países. O faturamento em 2009 foi de US$ 1,8 bilhão.

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