Fabricantes de autopeças criam grupo de integração no Mercosul

Os fabricantes de autopeças de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai deram hoje um passo à frente dos governos rumo à integração regional. Eles criaram o Conselho de Fabricantes de Autopeças do Mercosul (Mercoparts).A instituição do grupo é um segundo estágio de melhora na relação desse setor, que já foi bastante difícil em anos anteriores. Segundo Paulo Butori, presidente do Sindipeças, o problema no Mercosul sempre foi o da competitividade, já que cada país queria atrair para si os investimentos da cadeia produtiva automotiva."Havia investimento repetido tanto no Brasil quanto na Argentina e a decisão dos governos era de que tudo o que se fizesse em um país deveria também se fazer em outro. Essa duplicidade tornou as relações muito complexas", afirmou o empresário.Agora, segundo Butori, com a instituição do Mercoparts, os fabricantes vão atuar em conjunto para promover os interesses gerais do setor em harmonia com os outros elos da cadeia automotiva. "Esperamos também ficar à parte dos outros conflitos do bloco", sublinhou o empresário.Segundo objetivoOutro objetivo de destaque do Conselho é estimular os processos de complementação industrial entre os fabricantes do Mercosul, além de fornecer informações aos governos para promover a correção ou eliminação de fatores que prejudiquem a competitividade do setor.A primeira importante atuação conjunta aconteceu no âmbito das negociações entre Mercosul e União Européia. De acordo com Butori, a ação conjunta permitiu que houvesse apenas um documento do Mercosul nas negociações com os europeus. "Nem mesmo o setor automotivo conseguiu", afirmou.ElogiosO ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, elogiou o passo de integração dado pela indústria de autopeças. "É um bom exemplo para todos nós", afirmou o ministro, que participou da assinatura da ata de criação do conselho.O presidente da Associação de Fábricas Argentinas de Autopeças, Rodolfo Achille, defendeu a complementaridade do setor de autopeças dos quatro países, em lugar de esperar que os governos resolvam as questões de assimetria entre os quatro parceiros.A Argentina é o segundo mercado para as autopeças fabricadas no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. No período de janeiro a agosto de 2003 foram US$ 260,7 milhões, valor que cresceu 88,69% no mesmo período deste ano, para US$ 492,02 milhões.

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