Fabricantes de Blu-ray preparam reação

Empresas querem mostrar que preços já estão bem mais baixos

Ethevaldo Siqueira, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

As vendas do Blu-ray, o novo DVD de alta definição, têm sido decepcionantes em todo o mundo. O círculo vicioso é velho e conhecido: vende pouco porque tem poucos títulos e tem poucos títulos porque vende pouco. Diante do quadro atual, a Blu-ray Disc Association (BDA), entidade que reúne todos os fabricantes do novo disco, promete uma reação em escala mundial. A primeira medida é mostrar ao mundo a queda acelerada dos preços, tanto do hardware (toca-discos ou player) quanto do software (conteúdo ou discos).

Outra novidade será a existência de 150 toca-discos Blu-ray disponíveis no mercado mundial no final de 2009, com preços que começarão na faixa de US$ 140, segundo informa o presidente da seção europeia da BDA, Niels Leibbrandt. A entidade informa que existem atualmente cerca de 1,5 mil títulos de Blu-ray à venda no mercado europeu. Interpretando de modo diferente os números de 2009, o dirigente acha que as vendas foram impressionantes, pois atingiram níveis muito superiores à expectativa, num ano marcado pela crise mundial.

De qualquer modo, a indústria está disposta a fazer com que 2009 seja "o ano do Blu-ray" e que o produto seja o campeão nas vendas de Natal. A meta é alcançar a penetração de uma em cada dez residências na Europa em 2010, e o dobro em 2011. Empresas como a Philips e a Sony põem grande ênfase na queda conjunta de preços do home theater e do Blu-ray.

REAÇÃO MUNDIAL

A IFA 2009, feira de eletrônicos realizada em Berlim, mostrou, na realidade, uma nova atitude da indústria de eletrônica diante da crise, que parece refluir, mas que exige agora muito mais agressividade perante os consumidores. Além da promoção mundial do Blu-ray, a nova estratégia dará especial atenção aos seguintes pontos:

1. A televisão tridimensional (TV3D) é a principal arma tecnológica nessa reação mundial da indústria, com a participação conjunta da Philips, Sony, Samsung, LG, Panasonic, Sharp e outras. A Sony anuncia lançamento mundial para 2010 de seus televisores prontos para conteúdos em 3D, bem como a criação da PlayStation Network, uma rede via internet que deverá começar a operar em novembro deste ano na Espanha, França, Reino Unido e Alemanha.

2. Outra linha de ação da indústria está concentrada na profusão de gadgets mostrada na IFA. À frente desses produtos estão as câmeras digitais cada vez mais sofisticadas e por menores preços; os navegadores GPS cada dia mais modernos; os netbooks com um número de opções jamais visto para um novo produto; e os incontáveis acessórios para iPods e celulares.

3. A expansão mundial da alta definição é outra esperança de reaquecimento das vendas de eletrônica de entretenimento. Como se sabe, a TV digital europeia não deu prioridade inicial à HDTV, como estratégia de implantação de uma base mais ampla no menor prazo possível. Agora, chegou o momento de a alta definição estar em todos os domicílios, a começar pela TV paga, como anunciou Ferdinand Kaiser, da Astra: "A televisão de alta definição começa a chegar a milhões de lares, via satélite (DTH, de Direct to Home) ainda este ano."

4. A indústria reconhece que um dos obstáculos ao aumento de vendas é também a confusão que há entre os clientes diante das novas opções tecnológicas - como plasma, LCD, LED, OLED, Laser e as frequências de quadros por minuto (60, 120, 200, 240, 480 e 600 Hertz, como no caso de um modelo da Viera Panasonic).

5. Nessa estratégia global para recuperação das vendas, a indústria recorre até aos utensílios domésticos (home appliances), como geladeiras ultrassofisticadas, liquidificadores hi-tech, batedeiras que fazem tudo e máquinas de lavar que economizam 30% de energia.

6. Em sua campanha de convencimento da opinião pública e do mercado, a indústria de eletrônicos passou a utilizar as suas armas institucionais, focalizando seu novo marketing numa espécie de humanismo digital, como diz o presidente da Divisão de Displays Visuais da Samsung, ou todos os demais líderes, que enfatizam seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a eletrônica verde e a redução das emissões de carbono.

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