Fabricantes de caminhões dão férias a 11,3 mil empregados

Ford anunciou que deixará em casa 800 empregados, seguindo os passos de Mercedes e VW

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

Mais uma montadora de caminhões, a Ford de São Bernardo do Campo (SP), vai suspender toda a produção e dar férias aos 800 funcionários. É a terceira montadora desse segmento a anunciar paralisação das atividades em 12 dias. A medida também está sendo adotada pela Mercedes-Benz e a Volkswagen que, junto com a Ford, formam o grupo das três maiores fabricantes do ramo no País.Os períodos de paralisação vão de 10 a 25 dias, o que resultará numa perda conjunta de cerca de 6,2 mil veículos que deixarão de ser produzidos, levando-se em conta a capacidade produtiva de cada fábrica em dias úteis normais. Ao todo, 11,3 mil funcionários ficarão em casa.Até setembro, antes da crise internacional, as montadoras tinham fila de espera de até nove meses para caminhões e todas ampliaram a produção com contratações ou jornadas extras.A Ford dará férias aos funcionários de 19 de fevereiro a 15 de março, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A Mercedes dispensará os 7 mil trabalhadores da produção em São Bernardo de 23 de fevereiro a 4 de março, mesmo período em que os 3,5 mil operários da Volkswagen terão férias em Resende (RJ). Outras duas montadoras do ramo optaram por corte na produção com férias para parte do pessoal (Iveco) e interrupção da produção às segundas-feiras deste mês (Scania).A Scania também decidiu não renovar contratos temporários que vencerem ao longo do ano. Na América Latina, há 500 pessoas nessas condições, mas a empresa não informou quantos são da operação brasileira.Em janeiro, o mercado total de caminhões registrou queda de 24,4% em relação a janeiro e de 20,5% ante igual mês de 2008, com vendas de 6.389 unidades. As vendas de ônibus caíram 35,3% e 9,7%, respectivamente, para 1.406 unidades.Em junho do ano passado, a Ford anunciou que, pela primeira vez, iria operar em dois turnos na unidade de caminhões em São Bernardo. O projeto previa a contratação de 400 funcionários para ampliar a produção diária de 136 para 172 veículos a partir de janeiro. Em dezembro, diante da queda das vendas, o presidente da montadora, Marcos Oliveira, anunciou a suspensão do projeto, no valor de US$ 36 milhões.O diretor de vendas da Scania, Roberto Leoncini, avalia que os clientes estão deixando de renovar a frota por causa da restrição de crédito e da queda dos preços dos caminhões usados. "A redução do IPI para os novos estimula as compras, mas o mercado de usados está travado." Sem conseguir vender o usado, dificilmente o frotista consegue bancar a compra do caminhão novo.Segundo Leoncini, o segmento que mais suspendeu encomendas é o de mineração, até pouco tempo um dos principais clientes do setor. Já o corte da alíquota de 5% do IPI, que resulta na redução de 4,7% no preço do caminhão novo, está levando grupos que pretendiam ampliar a frota a antecipar compras. O corte vale até março.

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