Fabricantes de carros dos EUA prevêem um ano muito ruim

Cortes na produção no 1º trimestre serão de até 11%; vendas devem ser as piores em 10 anos

Nick Bunkley, The New York Times, Detroit, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

Pelo que dizem os executivos da indústria automobilística de Detroit, 2008 será um ano ruim para vender carros e caminhões nos Estados Unidos. Toda vez que uma companhia prevê como será o desempenho do setor, outra aparece com um número ainda mais desolador. A maioria das projeções está entre 15,5 milhões e 15,9 milhões de veículos, o que marcaria o pior ano para as vendas nos EUA desde 1998. Mas vários fabricantes estrangeiros, entre eles os japoneses Toyota e Honda, prevêem que suas vendas nos EUA aumentarão, apesar do colapso imobiliário, do alto preço da gasolina e da pouca confiança do consumidor. Aparentemente, 2008 será mais um ano de declínio da participação no mercado para a abalada indústria de Detroit e de crescimento lucrativo para suas rivais. O mercado fraco testará a capacidade das companhias de Detroit de manter sua recém-adotada estratégia de buscar mais rendimento com menos vendas. A tentação das liquidações pode ser maior para a General Motors, que em 2007 travou disputa acirrada com a Toyota para manter o posto de maior fabricante de automóveis do mundo. A GM ficou atrás no primeiro semestre, mas passou à liderança depois de nove meses; os números finais das vendas deverão ser divulgados neste mês. Independentemente dos resultados de 2007, analistas prevêem que a Toyota terá ampla vantagem em 2008. A empresa declarou em novembro que espera aumento de 5% em suas vendas globais, atingindo 9,85 milhões de veículos. A GM não divulgou a meta de produção, mas sua expansão mundial tem sido menor e suas vendas nos EUA continuam a diminuir. "Espera-se que a GM tenha aprendido algumas lições no mercado doméstico", disse Jesse Toprak, diretor de Análise da Indústria no Edmunds.com, site que aconselha consumidores na compra de veículos. "O objetivo não é a participação no mercado. É a lucratividade." Há vários anos, a queda nas vendas levou as companhias de Detroit a introduzir promoções com "preços para funcionários", que liquidaram lotes das concessionárias, mas prejudicaram os lucros e, no longo prazo, desencorajaram as vendas de carros novos, pois os valores de revenda de seus veículos despencaram. As companhias insistem que não pretendem ressuscitar a estratégia em 2008. Mas alguns analistas não têm tanta certeza. "Se as coisas não melhorarem no segundo trimestre, poderá haver gastos com incentivos mais criativos ou agressivos", disse Toprak. A perspectiva sombria para as companhias de Detroit afugentou investidores. As ações da GM caíram 42% desde o pico de 2007, em 12 de outubro, e tiveram baixa de 17,85% no ano. As ações da Ford Motor Company sofreram baixa de 11% em 2007. A Chrysler é uma companhia de capital fechado. A Honda espera alta de 2,5% das vendas nos EUA em 2008 e a Toyota, de 1%. Já a GM anunciou corte de 11% na produção do primeiro trimestre e a Ford, de 7,4%. A fatia de mercado das três companhias de Detroit ficou abaixo de 50% em julho e novembro, um acontecimento inédito. Os cortes de produção significam um risco ainda maior de o fenômeno se repetir em 2008.

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