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Fabricantes europeus oferecem descontos de até 30%

Além da China, Turquia, Alemanha e Holanda estão na lista de fornecedores de importados no fim de ano

, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

A invasão de produtos importados no dia a dia do comércio brasileiro vai além de itens fabricados na China. Já é possível encontrar taças da Holanda, saladeiras da Turquia, cachepôs do Vietnã e até vasos do Marrocos. Com o real valorizado em relação ao dólar e as economias desenvolvidas ainda patinando, fabricantes europeus e asiáticos oferecem descontos aos empresários brasileiros para desencalhar suas mercadorias.

"Depois da crise, os europeus passaram a oferecer descontos de 30% em euro", conta Fabio Pires, diretor comercial rede de lojas Jurandir Pires, que atua no Nordeste e vende presentes, utilidades domésticas, artigos de cama, mesa e banho, móveis, produtos para bebê e tecidos.

Segundo o empresário, antes da crise chegava a ser impossível negociar redução de preço com os exportadores. Dos 25 mil itens vendidos nas oito lojas do Grupo hoje, 30% são importados. No ano passado essa fatia era de 20% e para o ano que vem a perspectiva é chegar a 50%, diz Pires. Mas ele pondera que esse porcentual será atingido se não houver mudanças no câmbio.

Apesar dos novos países fornecedores, 80% das mercadorias importadas pela rede varejista são provenientes da China. Mas na lista de fornecedores constam também outros países asiáticos, como Filipinas, Vietnã, Índia, além dos europeus.

Na Roberto Simões Casa, varejista com cinco lojas em São Paulo e uma no Paraná, o quadro é semelhante. Segundo o gerente de compras da empresa, André Carlos Santos, 60% dos presentes vendidos pela rede são fabricados na China e 40% na Europa.

Ele explica que os novos fornecedores de cristais da Holanda, Turquia e Alemanha, por exemplo, surgiram depois da crise de 2008. A tradicional marca de cristal Bohemia vendeu as formas para produção de determinados tipos de taças e vasos para outras indústrias da Europa.

"A taça Vega e o vaso Arcadia, por exemplo, são produtos consagrados no mercado. É como Omo e Maizena", compara o comerciante. Itens desse tipo começaram a ser produzidos por fornecedores de cristais de outros países. Por isso houve o ingresso de novas origens na lista de fornecedores do varejista.

Santos conta que os produtos importados respondem hoje por 75% do faturamento da empresa. Em 2009, essa participação oscilava entre 60% e 65% . Para 2011, Santos está cauteloso. "Ainda não fizemos os pedidos para os fornecedores", diz ele. Além de não ter os lançamentos porque a maior feira mundial de artigos para casa ocorre só em fevereiro do ano que vem na China, o gerente acredita que, com o novo governo, possam ocorrer mudanças no câmbio.

Fatia. Não há uma pesquisa específica que indique a fatia dos importados no varejo nacional. Mas um dos termômetros desse avanço é o aumento da participação dos produtos e serviços importados em relação ao consumo das famílias e ao investimento no Produto Interno Bruto (PIB).

Nas contas do economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, essa participação atingiu 18,7% no terceiro trimestre deste ano. "Isso significa que quase 19% da demanda interna privada foi atendida por produtos e serviços importados. Esse é o nível mais alto da história", diz o economista. Em 1991,a participação dos produtos e serviços importados era 5,5% e no terceiro trimestre do ano passado atingiu 17,1%.

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