Fábricas ainda exigem muito trabalho artesanal

O operário Aloísio de Souza pode ser considerado um maquiador profissional. De bonecas. Por dia, cerca de 2 mil rostos de bonecas passam pelas mãos dele na fábrica da Estrela em Itapira, no interior de São Paulo. ''''Eu faço a sobrancelha, uma colega faz o batom, outra deixa o rosto coradinho. No fim, fica lindo'''', diz, segurando o spray que usa para fazer seu trabalho milimétrico.Após toda a pintura, sua colega Priscila de Moraes confere uma por uma e passa pano para ver se o serviço ficou bem feito. ''''As que estão boas vão para esta caixa, as ruins vão para aquela'''', diz ela, movendo-se em uma velocidade que não permite a olhos destreinados diferenciar as boas das ruins.Mas, antes mesmo de tomar forma, a boneca passa por muitas mãos. As partes em vinil vão para o forno, onde são tiradas uma a uma dos moldes com um alicate por um dos operários, que depois, pacientemente, recorta qualquer rebarba que tenha sobrado com uma faquinha.''''Só para montar e embalar uma boneca são necessárias 25 pessoas'''', explica o supervisor de fábrica, Gilson Batista. ''''Fora decoradores e equipe de modelagem.'''' Na fábrica de Itapira, a estrela conta com cerca de 400 pessoas. Nesta época do ano, em que há muitos pedidos para o Natal, a produção é de cerca de 6 mil bonecas por dia, somando as diversas linhas - fora jogos e outros brinquedos.Na Baby Brink e na Acalanto, empresas que têm fábricas na Bahia, cada boneca passa pelo menos na mão de 10 pessoas para ficar pronta. ''''Só costureiras fazendo roupinhas são 300'''', conta o superintendente das empresas, Audir Giovani. ''''Precisa de uma pessoa para vestir, outra para pentear, outra para colocar cílios. Essas funções não podem ser feitas por robôs, como em fábricas de automóveis.''''

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