Fábricas da Volks param por falta de bancos

Sem estoques para a produção, montadora dispensa 10 mil operários na segunda-feira

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2016 | 09h57

Cerca de 10 mil trabalhadores das três fábricas de automóveis da Volkswagen no Brasil ficarão em casa na segunda-feira e pelo menos 2 mil veículos deixarão de ser produzidos. Desta vez o problema não é o excesso de estoques, mas a falta de bancos para a produção.

A fornecedora de estruturas para assentos Keiper, com fábricas em São Paulo, Mauá (SP) e São José dos Pinhais (PR) não entregou o produto e o estoque da montadora acabou. O problema vem ocorrendo há mais de um ano. Keiper e Volkswagen não comentam o motivo.

Na sexta-feira, as fábricas da montadora em São Bernardo do Campo (SP), onde são produzidos Gol e Saveiro, em Taubaté (SP), que faz up!, Gol e Voyage e em São José dos Pinhais (Fox, CrossFox e Golf, além dos modelos A3 e Q3, da Audi) não operaram porque estão com jornada reduzida em um dia por semana por adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE).

As três fábricas também já têm previstas férias coletivas para a maior parte do pessoal da produção. Na unidade de Taubaté, a parada deve durar 20 dias, a partir do dia 30 deste mês. No Paraná, se estenderá por um mês a partir de 20 de junho. Em São Bernardo, o período ainda está sendo avaliado.

Ocupação. Funcionários da Karmann Ghia, fabricante de peças automotivas, ocuparam ontem as instalações da empresa em São Bernardo em protesto contra atrasos nos salários desde dezembro e não pagamento de rescisões de contratos de demitidos no ano passado.

A empresa tem 380 funcionários, passa por sérias dificuldades e busca um comprador, mas problemas judiciais entre o atual e o antigo dono atrapalham as negociações.

Instalada no ABC paulista desde os anos 60, a empresa já passou por quatro donos desde 2008, quando a família alemã Karmann saiu do negócio.

“Os trabalhadores estão cansados de levar prejuízos”, diz Valter Saturnino Pereira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Karmann Ghia há 20 anos. “Não vamos sair até que haja uma solução para o impasse jurídico ou a empresa apresente uma solução.”

O grupo que está acampado em uma área antes usada para exposição de carros da marca teve de conseguir um gerador pois a energia elétrica da fábrica foi cortada por falta de pagamento. Nenhum representante da Karmann Ghia estava na fábrica ontem.

Greve. Na fábrica de caminhões e ônibus da Volvo, em Curitiba (PR) funcionários completaram ontem quatro dias de paralisação contra demissões previstas pela empresa.

Em proposta apresentada ontem, a Volvo reduziu de 400 para 250 o número de trabalhadores que considera excedentes, considerando utilização de banco de horas e abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Também quer que os funcionários abram mão da reposição salarial deste ano e de R$ 5 mil do valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

“Aceitamos discutir esses pontos, desde que a empresa não faça demissões”, diz Nelson Silva de Souza, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. Segundo ele, mesmo que as medidas sejam aceitas, a empresa pretende demitir 180 trabalhadores em dezembro, de um total de 3,2 mil.

Segundo a Volvo, se a economia voltar a crescer não haverá cortes. Informa ainda que precisa “tomar medidas para amenizar a crise que derrubou as vendas de caminhões pesados em 60% em 2015 e a situação não melhorou este ano.” A empresa alega que “vem carregando um excedente de 400 funcionários, cuja maioria é mantida em casa.”

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