DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Facebook de João Doria divide seguidores

Rede social do prefeito de São Paulo se tornou ponto de convergência para aqueles que são contrários à greve geral desta sexta-feira, 28

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2017 | 23h44

Pesquisa realizada nesta quinta-feira, 27, pela plataforma Radar Bites (empresa de análise de dados) mostrou que o prefeito de São Paulo, João Doria, se transformou em uma espécie de “ponto de convergência” da parcela da opinião pública digital contrária à greve geral marcada para hoje.

Na quarta-feira, Doria publicou um vídeo em sua página de Facebook convocando os funcionários do município ao trabalho. Ele ofereceu os serviços de transporte por aplicativo de Uber e 99 para quem não conseguir se deslocar. Até o fechamento desta edição, o vídeo tinha 2,4 milhões de visualizações, mais de 73 mil compartilhamentos e cerca de 109 mil comentários.

Segundo a empresa de análise de dados, nenhum outro prefeito posicionou-se com tanta ênfase em relação à greve nas redes sociais. Mas, como era esperado, a sua posição alimentou polarização nas redes sociais – que já estava acirrada pela reforma trabalhista, previdenciária e pela greve geral.

Apoio e crítica. Entre os apoiadores houve textos em que a greve era tratada como “coisa de petista”, de “desocupados” ou “baderneiros”. Os apoiadores mais exaltados aproveitaram a oportunidade para lançá-lo como candidato a Presidência. “Sensacional Sr. Prefeito! Esse é o posicionamento de um verdadeiro Líder! O Brasil precisa de gestão competente”, disse Henrique Neto, um seguidor da página de Facebook de Doria.

Mas seus seguidores também fizeram críticas. Foi o caso de Batata Montovani: “Sou um grande admirador de sua administração, mas neste momento é preciso sim uma greve geral. Manifestações pacíficas em um dia de domingo ensolarado não mudam o cenário. É um absurdo um trabalhador se aposentar aos 65 anos...”.

Internautas chegaram a recuperar um twitter de Doria publicado em julho de 2013. “Greve geral de amanhã pode ser o teste mais difícil do governo Dilma”, dizia. Ou seja, a postagem do prefeito fez com que muitos enxergassem oportunismo em sua atual posição ao se declarar contra a greve geral no governo de Michel Temer.

Um dos líderes da greve geral, o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, também entrou no embate virtual: “Doria disse que vai pagar Uber para servidores que furem greve. Não adianta. O MTST vai travar avenidas e vias, nem o Uber vai passar...”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do prefeito para comentar a repercussão virtual, mas até o fechamento desta edição não teve resposta.

“Sou um grande admirador de sua administração, mas neste momento é preciso sim uma greve geral. É um absurdo um trabalhador se aposentar aos 65 anos...”

Batata Montovani

SEGUIDOR DE DORIA

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