Facebook libera venda de ações e perde 6,3%

Desde sua estreia na Bolsa de Nova York, em 18 de maio, o papel da rede social já acumula queda de quase 50%

SAN FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h04

As ações do Facebook despencaram mais de 6% ontem, atingindo o menor nível desde o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) da rede social, depois que o primeiro de vários períodos de retenção de venda dos papéis por detentores que têm relação com a companhia chegou ao fim. Com isso, a empresa teve uma queda de US$ 4 bilhões no valor de mercado.

A queda elevou a perda total do Facebook, desde a estreia do site na bolsa, em maio, para pouco menos de 50%, ou aproximadamente US$ 40 bilhões. A ação estreou cotada a US$ 38, no dia 18 de maio deste ano, e fechou cotada a US$ 19,87 - queda de 6,27% - no pregão de ontem.

Mais de 270 milhões de ações foram "destravadas" (liberadas para a venda, após um período de carência de quase três meses). Esse montante equivale a mais da metade dos 421 milhões de papéis vendidos na oferta pública inicial.

"Se (o valor de) sua carteira está sendo cortado pela metade, você vai ficar parado e arriscar o resto?", disse Frank Davis, diretor na empresa LEK Securities, em Nova York.

O Facebook, maior rede social do mundo, com 955 milhões de usuários, tem visto queda em suas ações desde a estreia, que havia definido valor de mais de US$ 100 bilhões para a empresa.

Geração de receita. Preocupações sobre o lento crescimento de receita da companhia e sobre sua capacidade de produzir dinheiro com propaganda em aparelhos portáteis, como os smartphones, têm pressionado as ações.

Analistas afirmaram que não ficou claro se o movimento de baixa de ontem está relacionado ao destravamento das ações ou se os acionistas estão vendendo diante das preocupações sobre o impacto potencial das vendas promovidas pelos detentores dos papéis, que até agora estavam de mãos atadas para impedir uma sangria ainda maior de seu investimento.

Outras 243 milhões de ações serão liberadas para negociação entre meados de outubro e novembro. Em 14 de novembro, mais de 1,2 bilhão de papéis da empresa estarão disponíveis para operação. O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá começar a se desfazer de suas ações a partir deste último lote.

Fundo do poço. No entanto, há quem defenda que o pessimismo em relação ao Facebook pode estar sendo exagerado. Um artigo publicado ontem no site da revista americana Forbes defende que já está na hora de o mercado reavaliar a rede social. "O Facebook é, afinal, um negócio real com lucros reais."

A publicação lembra que no período de dois anos, entre o segundo trimestre de 2010 e o segundo trimestre de 2012, o Facebook gerou lucro operacional de US$ 3,6 bilhões e a receita por usuário subiu de US$ 0,94 a US$ 1,28. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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